quarta-feira, 8 de maio de 2013

Ecos de um show



Alguém
(cronista, talvez)
algum dia,
haverá
de descrever
a cena,
banal, talvez.

No coração do Brasil
(Serra Dourada-
encantada)
um louva-deus
extasiado,
une-se
ao besouro.

Envolto
por luz,som e neon,
pousa,suavemente,
como quem
nada quer,
no ombro
do pop-star.

Virando-se,
o astro sorri.
O louva-deus
entende e ali
permanece
por uma breve
eternidade.

(Francisco Barros)

domingo, 28 de abril de 2013

Claro e Escuro



A luz, amor,
(você sabe?)
quando intensa
pode cegar,
obscurecer.

As estrelas
não são
percebidas
no clarão
do dia.

alimentam-se
das trevas
para se revelar.
Prá que fitar
o horizonte?

Olhe para dentro
dos seus desvãos:
claro e escuro;
Quem sabe
onde estão?

O medo não veste
o manto negro.
Não está claro?
A luz pode vir
do escuro.

(Francisco Barros)

segunda-feira, 15 de abril de 2013

O Regresso de Ulisses e a Imortalidade




Os ocidentais, somos, em grande parte, produto da civilização helênica. Essa filiação espiritual justifica o interesse pela fabulosa cultura grega com suas lendas e mitos. O conhecimento acerca desses temas nos chegou através dos filósofos da pré-história e, sobretudo, pelas narrações de Homero e Hesíodo (poemas épicos e fábulas), por volta de 750 a.C. Interpretar tais histórias não é tarefa fácil, sobretudo porque elas foram contadas e recontadas. E como se sabe, “quem conta um conto aumenta um ponto”.

Não me furtarei à tentação de, também, contar o meu conto. É sobre o regresso de Ulisses a Ítaca, após a guerra contra os troianos. Dentre as muitas espetaculares aventuras desse guerreiro à frente de seus companheiros, uma é especialmente interessante. Navegando em mares bravios, o herói e seus homens são vítimas de uma forte tempestade com raios e trovões. O navio acabou totalmente despedaçado. Com os restos da embarcação, Ulissses fez uma jangada que o levou à Ilha de Calipso.

Calipso era uma divindade feminina, ninfa do mar, que compartilhava diversos atributos dos deuses. Ela acolheu Ulisses, recebendo-o com muita hospitalidade. Carente, a Ninfa não resistiu aos encantos do aventureiro. Apaixonou-se perdidamente por ele. Para seduzi-lo chegou, inclusive, a prometer-lhe a imortalidade, desde que ficasse para sempre na ilha. A tentação era grande, mas o herói recusou a “euforia da eternidade”. Ao recusar a proposta, Ulisses optou por sua identidade, esquivando-se do engodo da atemporalidade.

Preferiu continuar “dono do seu destino, capitão da sua alma”. Significava cumprir a sua realização mortal: regressar para o seu reino em Ítaca e para os braços de sua amada – Penélope. Se outra fosse a sua escolha, as suas aventuras teriam sido em vão, uma vez que perderia a sua identidade, transformando-se numa efígie perene. Embora tentadora, a proposta da ninfa implicaria em negar a sua condição humana. Toda a sua Odisséia (cantada por Homero) não passaria de uma vertigem, uma incompletude.

Calipso resistiu o quanto pode à disposição de Ulisses de regressar à pátria, para a esposa e o filho. Para resolver o impasse, foi necessária a interveniência do deus Júpiter. Foi ele quem ordenou que o viajante deveria partir. Ulisses, recolhido a uma gruta, recebeu de Mercúrio a mensagem, que foi assim descrita por Homero:

Verdejante, viçosa trepadeira
Forrava os muros da espaçosa gruta.
Em torno, quatro fontes cristalinas
Derramavam na terra a pura linfa,
Que corria em regato sinuosos,
Entre a verdura tenra, que violetas
Purpúreas enfeitavam. Era um cenário
Que qualquer deus veria com deleite.


Calipso resistiu o quanto pode às ordens de Júpiter, mas acabou cedendo. Permitiu que Ulisses construísse uma jangada, deu-lhe provisões e vento favorável. Assim, o viajante lançou-se novamente aos mares para cumprir o seu itinerário e alcançar o seu objetivo previamente traçado: regressar à sua querida Ítaca e aos braços de sua amada Penélope.
O escritor e poeta mineiro, radicado no Rio de Janeiro, Affonso Romano de Sant´Anna escreveu belos versos sobre a saga do nosso herói, no poema “Ulisses, o Retorno”. São escritos como esse que asseguram a chama viva desse mito épico que povoa o imaginário dos povos.

Pensei em citar trechos, mas não resisti à tentação de reproduzir, na íntegra, o poema de Sant´Anna. Confira:

“Como voltar
depois de Itaca
das sereias
dos cíclopes
de tanto assombro
de tanto sangue na espada?
Como voltar
se aquele que partiu
partiu-se
e voltará os fragmentos do excesso?
Não há retorno
Há outra viagem
diariamente urdida
dentro da viagem
antiga.
Embora o caminho
da volta
seja percorrido
ninguém retorna
apenas volta a viajar
no espaço anterior
estranhamente familiar.
Como se o regresso
fosse acréscimo
e o viajante descobrisse
que é atrás
que está a fonte
e na alvorada
o horizonte
não há retorno.
Há o contorno
do próprio eixo
o tempestuoso
périplo do ego
um diálogo de ecos
como quem
tenta encaixar
diferentes rostos
no mesmo espelho.
Por isto, o retorno
inelutável
é perigoso
exige mais perícia
que na partida
mais destreza
que nos conflitos
pois o risco
é naufragar
exatamente
quando chegar ao porto.”

sábado, 23 de março de 2013

Fresta de Luz



Cedo se vão as rosas d’alegria...
Cedo o outono se fana: o inverno vem.
Cedo me foge a suave melodia
Que aos ouvidos meus doce sonido tem
!”.
Katherine Manisfield

“Não posso fraquejar, tenho filhos para criar”. Deitada na cama, a sentença era-lhe soprada. Por quem? Não sabia. Apenas tinha consciência que a ouvia. Por isso, agarrava-a. Sentia-se como o náufrago que tem diante de si restos de madeira na imensidão do oceano azul. Repetia, balbuciando, semiconsciente: “Não posso fraquejar...”

Agora, tinha a impressão nítida da solidão. Era como percorrer uma estrada longa e deserta. O sol a pino, a boca seca, o cansaço. Mais mental que físico. Onde iria chegar a pé? Essa estrada terá fim? As ideias embaralhavam. Era difícil concatená-las.

Não sentia mais chão sob os pés. Porém, não queria se entregar àquele estado onírico. Necessitava manter-se lúcida. Mas onde buscar forças? O mundo exterior parecia etéreo. Foi quando sentiu que afundava. Num lago? Não sabia. Sentia dificuldade  em  respirar. Como retornar à superfície? Tratava-se de um pesadelo?

Tudo à sua volta soava confuso. Olhou para o lado. Identificou o criado mudo. Levou a mão até ele. Teve a impressão de que, preguiçosamente, subia uma leve nuvem de pó. Os seus olhos negros tentavam divisar o que se encontrava no seu derredor. Passou a mão pelos cabelos levemente encaracolados, macios. Despertou.

A sua cabeço doía. O rosto lívido, a pupila levemente dilatada. Repetiu novamente para si: “Não posso fraquejar, tenho filhos para criar”. Foi quando os seus músculos começaram a distender-se. Conseguiu divisar o teto. Fixou um ponto: uma ínfima fissura no alto da parede, teias de aranha. Em seguida, voltou a cabeça para o lado: o abajur desligado.

Sentia as mãos trêmulas. Fixou a janela. Uma pequena fresta de luz teimava esquivar-se e esgueirar-se por entre a cortina com blackout. Aquela delgada réstia encheu de vida o espaço antes claustrofóbico. Preparou-se mentalmente: ia levantar.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Dostoiévski e a opressão da mulher




Acabo de folhear as últimas páginas de um livro oportuno para o mês de março, quando se comemora o Dia Internacional da Mulher. O 8 de Março, como todos sabemos, se propõe a denunciar a opressão e a violência contra esse gênero. É bem verdade que, em termos de conquistas, o século XX foi pródigo nesse terreno. Foi o período de (re)afirmação da causa feminina (ou feminista). No século XXI, caminha-se a passos firmes no sentido da tão sonhada igualdade de direitos (pelo menos no Ocidente).

Recuando no tempo, o que dizer do século XIX? Até então, a mulher não tinha vez, nem voz. Eram raras as escritoras e artistas. Mas justamente nesse século um gigante das letras solidarizou-se com esta causa. Escreveu uma peça literária de expressiva agudeza. Nela denuncia o regime despótico a que as mulheres eram submetidas. O autor em questão é o russo, nascido em Moscou (1821-1881), Fiódor Mikhailovitch Dostoiévski. A novela é uma pequena obra-prima. Intitula-se: “Uma Criatura Dócil”.

Dostoiévski retrata a vida de um casal. Com o seu gênio inventivo, escusa-se a recorrer a uma narração convencional, linear. Mais sugere que descreve. Utiliza-se de uma espécie de diário confessional, repleto de trilhas tortuosas, reentrâncias, guinadas e solavancos. Com isso, o leitor é conduzido a tirar suas próprias conclusões a partir do depoimento do marido. Percebe-se que se trata de um ser mesquinho, avaro, truculento, diabólico, às vezes, misantropo.

As visões e opiniões desse personagem são parciais, fruto de uma mente doentia. Mas ele, no meio de sua loucura e delírio, deixa-se retratar por inteiro. Cai o véu de sua personalidade. Aflora e transparece o egoísmo, canalhice, petulância e sabujice. Vem à tona a crueldade dos pequenos gestos, da incomunicabilidade, o despotismo de uma relação dúbia. Utiliza-se da força (em todos os sentidos, inclusive, da econômica), para fazer prevalecer as suas idiossincrasias.

Paralelamente, emerge a figura frágil, solitária, incompreendida, meiga, sem nome, heroína trágica, que é a esposa, de apenas 16 anos, que dá título à novela. Ao retratar esta personagem sob a ótica de seu carrasco, Dostoiévski engrandece a sua “Criatura Dócil”. Confere à história o status de tragédia urbana, realista, mas com altas doses de psicologia, marca registrada do escritor russo.

Esta pequena joia rara é a peça literária mais contundente escrita no século XIX contra a dominação da mulher. Trata-se de um olhar pungente sobre o universo feminino. Não sem razão, chegou a ser lembrada como “uma das mais vigorosas novelas do desespero na literatura mundial”. O francês André Gide foi taxativo. Qualificou-a de “uma coisa estupenda”. Dostoiévski foi feminista quase um século antes do feminismo.



segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Tribuna do Planalto publica artigo

Fiquei muito contente com a publicação deste meu artigo no jornal Tribuna do Planalto. Ele aborda dois assuntos:a arte de escrever e o livro que publiquei - "Viagem Rumo a Quatro Estações". Confira a íntegra abaixo.

Voltei para ficar


Depois de uma longa ausência neste espaço, retomo as postagens. Poderia inventar muitas desculpas para justificar este período de abstinência, fico com apenas uma: o lançamento do meu livro no dia 7 de novembro, na Acieg. O espaço que utilizo neste blog foi muito importante para a formatação do livro. Diversos textos foram primeiramente divulgados aqui.Agradeço meus eventuais leitores que comentaram os Posts. Podem ter certeza, foi um incentivo. Como eu disse, este filhote digital foi de suma importância para gerar o filhote analógico.

Aproveito este espaço para agradecer, também,a todos que compareceram na solenidade de lançamento do meu livro "Viagem Rumo a Quatro Estações" na Acieg. Agradeço, ainda, os amigos jornalistas que dedicaram generoso espaço para a divulgação desta obra. Foi bem mais do que eu esperava. Tudo isso me deixa muito confiante para me lançar em novas aventuras literárias. Novas Estações virão. Para quem porventura se interessar pela obra ela pode ser adquirida na Revistaria L&R (Banca do Marcão), no Goiânia Shopping, ao lado do Fujioka. Ou,se preferir, também pode ser solicitada diretamente pelo fone (62) 3097-1406.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

A política e o exercício da cidadania




É inconteste que vivemos um período de grande descrédito na política e nos políticos. O desencanto se deve a vários fatores. Um deles: os sucessivos escândalos envolvendo agentes públicos. Nas escolas e universidades a participação dos jovens no movimento estudantil é mínima. O desinteresse desse segmento é lamentável. Afinal, caberá a eles conduzir os destinos do país.

A política feita com idealismo parece coisa do passado. Até que ponto esta afirmação guarda uma excessiva carga de saudosismo? Não obstante, a imagem que a população faz hoje dessa atividade está associada a interesses e vantagens pessoais. A fulanização da política contribui para reforçar essa situação. E o que dizer dos atuais políticos? Trabalham por causas coletivas? Quem são eles? Defendem propostas de interesse popular? Uma coisa é certa: é preciso estar informado sobre esses assuntos.

Para justificar o desinteresse pela política é comum ouvirmos a seguinte afirmação: “não gosto de política porque os políticos são todos farinha do mesmo saco, são todos corruptos”. Com isso, dão as costas a uma atividade que é vital para a organização da sociedade. Quem se abstém do processo político mal sabe que está dando um cheque em branco para aqueles que vão governá-lo.

Muitos críticos da política também não se dão conta da importância do voto. Enxergam o ato como uma mera obrigação. Não compreendem que este é um direito duramente conquistado. Melhor ainda: historicamente conquistado. A nossa jovem democracia ainda se ressente de aperfeiçoamentos. Impossível esquecer que de 1964 a 1985 vivemos amordaçados e subjugados por uma ditadura militar.

Os hábitos e costumes políticos só serão mudados se houver participação popular na política. Ignorá-la, em última instância, só reforça os políticos que querem usar a política como trampolim para enriquecer. Só haverá transformação real se enxergarmos a administração pública com outros olhos. Somos nós, eleitores, cidadãos, que devemos exigir transparência, ética, eficiência dos gestores públicos e dos nossos representantes no parlamento.

Adotar uma atitude eqüidistante é um erro crasso. Se não concordo com o cenário político, devo questionar: o que fazer para alterá-lo? Discutir política, nesse sentido, é debater os rumos que queremos dar para nossas vidas, nossa cidade, nosso Estado e nosso País. Até mesmo para o futuro do planeta terra. Esqueça, portanto, aquela idéia atrasada, retrógrada, segundo a qual política não se discute. Essa máxima deve ter sido criada por um político muito esperto (e, possivelmente, corrupto).

Todas as relações na sociedade são, em última instância, políticas. O ar que respiramos, só para ficar num exemplo, tem relação direta com a política. Quando está poluído é porque o tema está sendo negligenciado. Nesse sentido, política e cidadania são irmãs siamesas. Uma não sobrevive sem a outra. A cidadania necessária só será edificada se tivermos claro o seu significado político. Ela se traduz no tripé: bem comum, igualdade social e dignidade coletiva.

Viagem ao Reino da Memória



O que é a memória? Para que existe? Por que lembramos? Por que esquecemos? São muitas, é certo, as perguntas que envolvem este tema. O escritor Paul Auster, no livro “O Inventor da Solidão”, oferece uma resposta. Ele define a memória como “o espaço em que uma coisa acontece pela segunda vez”.

Encontrei uma conceituação, no mínimo, curiosa, no Mini Dicionário Sacconi: “Faculdade de conservar e experimentar de novo estados de consciência passados”. E fico a perguntar: Será que a invenção da escrita foi a maneira engenhosa que nós, humanos, encontramos para eternizar “estados de consciência passados”?

Para o escritor argentino Jorge Luís Borges, citado pelo italiano Domenico Di Masi, todos os romances e poemas escritos ao longo dos tempos repetiram, em versões infinitas, tão somente quatros histórias: a de uma cidade sitiada, a de uma viagem, a de uma busca, a do sacritfício de um deus.

No monumental “Em Busca do Tempo Perdido”, o escritor Marcel Proust faz uma fantástica escavação da memória. Recompõe fatos , revive sensações e sentimentos. Proust é um escafandrista. Mergulha em águas abissais para recolher a essência do tempo. Por fim, descobre que o que se perdeu pode ser reconquistado pela memória.

Umberto Eco no romance “A Misteriosa Chama da Rainha Leona” faz uma ambiciosa incursão ao passado. O protagonista Yambo perde parte da memória –afetiva e biográfica. Para recuperá-la, lança-se na leitura febril de jornais, revistas, gibis e livros que marcaram a sua infância e juventude. Eco/Yambo nos conduz, pelo fio da lembrança, a um vasto painel dos anos 30 e 40 do século passado. Farejando o passado, o autor edifica o seu “palácio da memória”, percorrendo labirintos insondáveis.

Palavra e memória (somadas a muita imaginação) são habilmente manipuladas nas aventuras narradas por Xerazade em “As Mil e Uma Noites”. Ela se utiliza desses recursos para seduzir o rei Xeriar. Este, traído por sua mulher, decide matar diariamente cada nova esposa, após uma noite de prazer. Para interromper este círculo de terror, Xerazade casa-se com o rei. Depois da sessão de amor, desfia histórias encadeadas. “Isto não é nada, comparado ao que contarei amanhã à noite”, diz ela. Por fim, Xerazade é poupada.

Voltando a Paul Auster. Na sua obra citada (O Inventor da Solidão), o autor faz uma imersão pelos labirintos da memória para meditar sobre a morte do pai. A reflexão que empreende busca o significado para a existência. É quando ele confronta a “Solidão” com a “Memória”, numa jornada poética que rompe a fronteira entre ficção e realidade. Encerra o livro com um alerta: “Foi. Nunca mais será. Lembre-se”.

Não seria demais supor que somos prisioneiros do tempo e da memória. Mais que isso: prisioneiros do passado; de memórias passadas. Estamos conectados aos nossos antepassados, que nos legaram a sua cultura, saberes e conhecimentos. Assim sendo, a escrita é o veículo que melhor traduz essa perenização.

“Penetra surdamente no reino das palavras” – convida o poeta Carlos Drummond de Andrade, acrescentando:”Lá estão os poemas que esperam ser escritos”. Parafraseando o imortal mineiro, poderíamos dizer: “Penetra no reino da memória. Lá estão os fatos e mistérios que merecem ser revividos”.

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Três fábricas de poesia e um cavalo de três rabos



Pode soar estranho, mas é verdade: cavalo de três rabos. Até parece realismo fantástico. Mas não é não. Pode até guardar semelhanças com as histórias do Gabriel García Marquez, o Nobel colombiano. Mas a referência é de outro Nobel – o chileno. Bingo! É ele mesmo – Pablo Neruda.

De onde surgiu essa história de cavalo de três rabos? Eu conto, sem aumentar muitos pontos. Vamos lá: por partes (sem trocadilho de humor negro). É assim... Era uma vez um menino em Temuco, que nessa época atendia pelo nome de Neftali Ricardo Reys. Pois bem, esse menino ficou maluco quando viu na entrada de uma sapataria um cavalo de papel. Era uma peça publicitária, decorativa, para chamar a atenção dos transeuntes.

A mensagem (ou melhor, o cavalo) ficou gravada na memória do poeta. Essa imagem da infância não saiu da sua cabeça de adulto. Já famoso no mundo inteiro, Neruda retorna a Temuco com uma firme determinação: adquirir a relíquia. O dono pediu uma soma astronômica. Neruda desistiu – só temporariamente, do seu intento.

Um belo dia, um incêndio praticamente consumiu a loja. Os bens salvos foram a leilão. E eis que, entre eles, figurava o simpático, querido, desejado cavalinho de papel. Não deu outra: Neruda arrematou a peça. Mas havia alguns detalhes peculiares. O rabo estava chamuscado. A bem da verdade, outras partes do corpo também foram atingidas.

Com imaginação de poeta não se brinca. Ele convocou um amigo pintor para restaurar o seu brinquedo de quatro patas. Assim, o cavalo foi coberto de tinta azul clara e de dourado. Restava, porém, uma parte: o rabo chamuscado. O poeta convocou três amigos para achar uma solução. Acharam três. Ou melhor, cada um arrumou um rabo de uma cor – branca, amarela e preta.

Diante dessa questão, Neruda exerceu o que mais sabia, depois da poesia: a diplomacia. Para não desagradar ninguém, colocou os três rabos no cavalo. Quem quiser conferir o prodígio é só visitar a casa do bardo em Isla Negra. O cavalo está lá, com os três rabos, numa sala especialmente desenhada para ele.

 Isla Negra
Ah, sim, e quanto às três fábricas de poesia? Simples: são as três casas do poeta, transformadas em museu. Nelas Neruda escreveu boa parte de sua extensa e consagrada obra literária. Isla Negra – a do cavalo – era a sua preferida. Ela não é ilha e não é negra. Apenas uma simpática vila de pescadores. É onde o poeta está enterrado, de frente para o mar, ao lado de sua amada, Matilde.

 Neruda e Matilde
A segunda casa é La Chascona, que significa cabelo desarrumado. Foi edificada em Santiago, especialmente para Matilde. Nesse espaço funciona a sede da Fundação Pablo Neruda. Ela possui três divisões, com um pátio central coberto de vegetação e belos jardins. Chama atenção o acervo de obras de arte.

 La Chascona
Por fim, em Valparaíso, encontra-se a sua terceira casa -La Sebastiana. Fica no alto da colina “Bellavista”, de onde se divisa toda a baía da cidade. De qualquer cômodo da casa é possível ver o mar. Ela possui formato de barco. É onde o poeta costumava passar o réveillon. As três moradas eram as suas fábricas de poesia. 

 La Sebastiana

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Trevas do Colonialismo


Coração das Trevas, de Joseph Conrad, é um livro instigante. A narrativa é envolvente. A obra prima pelo rigor da linguagem. Isso fica evidente mesmo numa tradução, no caso de Albino Poli Jr., para a editora L&PM Pocket.

Incrível, mas Conrad aprendeu inglês apenas aos 23 anos. Ele era polonês, de Berdichev. Nasceu em 1857. Ainda assim, foi considerado pela crítica um dos mais importantes escritores da língua inglesa de todos os tempos.

O que mais impressiona em Coração das Trevas? A força da narrativa, através de uma apurada técnica literária. Conrad tem um domínio absoluto sobre o tema que desenvolve. Explica-se: ele foi marinheiro durante 16 anos. Percorreu a Ásia, Áfria, América e Europa.

Coração das Trevas obteve um sucesso tão expressivo que ganhou adaptação livre para o cinema (Apocalipse Now), do diretor Francis Ford Coppola. Destaque para a atuação magistral de Marlon Brando como o enigmático Kurtz.

O pano de fundo do livro é o colonialismo e suas consequências: "O horror! O horror!". Denúncia pungente e, ao mesmo tempo, realista. Baseia-se na viagem que o autor fez ao Congo, comandando um navio, quando contraiu malária, entre outros dissabores.

A vivência do autor fica patente em trechos do livro: "Marlow não era um marinheiro típico (excetuando sua propensão a contar histórias), e, para ele, o significado de um episódio não estava dentro como um cerne, mas fora, envolvendo a narrativa que o descobriu apenas como um fulgor iluminando a neblina, na semelhança de um desses nevoentos halos que às vezes se formam invisíveis pela iluminação espectral do luar".

O personagem Marlow, marinheiro como Conrad, é o seu alter-ego. Ele é quem relata os episódios de Coração das Trevas. Um viagem de barco às entranhas da selva africana, tal como fez Conrad. A expedição liderada por Marlow vai ao encontro de Kurtz.

Ele é descrito como um ser que possui "alma de pureza tão translúcida como um rochedo de cristal". E o seu olhar "não podia ver a chama da vela, mas era amplo o suficiente para abraçar o universo inteiro, pungente o bastante para penetrar todos os corações que batem na escuridão".

Publicado somente em 1902, o livro foi escrito em 1896, ano em que nasceu o primeiro filho de Conrad. O livro foi considerado por Jorge Luis Borges "o mais intenso de todos os relatos que a imaginação humana jamais concebeu".

O autor privou da amizade de muitos literatos de sua época. De todos, porém, de quem mais se aproximou foi Henry James. Inclusive, ambos costumavam desenvolver o mesmo truque literário. O narrador das histórias é um dos personagens e a visão unilateral dos acontecimentos se completa com a de outros.

Com isso, o leitor dispõe de pelos menos dois ângulos da história. Tal recurso permite um julgamento com maior objetividade. É o que acontece, justamente, com Coração das Trevas. Conrad escreveu uma extensa obra, a maioria centrada em relatos marítimos. Outros dois livros de sucesso do autor foram Lorde Jim (1900) e Nostromo (1904).

Em 1917, Conrad fez um comentário esclarecedor sobre os seus escritos: "Chamam-me de escritor do mar...Toda a minha preocupação foi chegar ao valor 'ideal' das coisas, dos acontecimentos, dos seres". Quem se ater ao sub-texto encontrará tais significados permeando os seus livros.

Caricatura de Joseph Conrad

Yamandu Costa - Disparada

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Janis Joplin: Summertime

Summertime é uma das mais belas canções já gravadas em todos os tempos. De todas as interpretações que já ouvi - e foram muitas -, uma me marcou. É a de Janis Joplin. Ela canta com todo sentimento. Aliás, ela é só sentimento. E, claro, com uma técnica vocal apuradíssima. Em minha opinião, nenhuma outra intérprete chegou perto de Janis. Ela tinha uma intensidade eletrizante. Arrebatadora. Confira:

Kind Of Blue


O maior clássico do cool jazz de todos os tempos - Kind Of Blue.O autor dessa preciosidade é o lendário Miles Davis. O disco foi concebido em 1959. Eu nem era nascido. Recentemente, para relembrar os 50 anos desse marco musical, foi lançada uma edição de luxo. Naturalmente, em vinil. Com um detalhe especial: em vinil translúcido. Encartado ao material havia um DVD, faixa bônus e outras "cositas más".

Acompanhe, abaixo, a interpretação de uma das faixas do Kind Of Blue. Um momento genial de Miles Davis com o seu parceiro de então, John Coltrane. Puro virtuosismo.


Miles Davis & John Coltrane - So What

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Desabafo em forma de Poema


Manuel Bandeira, o grande poeta do modernismo brasileiro, ao escrever o poema "Nova Poética", foi além - fez um desabafo. Contra o que? Contra o que ele denominou de "poesia-orvalho", aquela que omite a realidade. Mais que isso: deturpa a realidade. Ele defende uma poética vinculada à vida, à realidade, em oposição à corrente dos "alineados". Baneira dá nome aos bois: menininhas, estrelas alfa, virgens cem por cento e amadas envelhecidas.

Ele até pode parecer agressivo ao utilizar o termo "sórdido". Mas fez um cálculo deliberado. O seu objetivo era estabelecer uma ruptura com padrões antigos, que ainda persistiam (e dominavam) o fazer poético, quando o poema foi escrito em 1949. Tratava-se, em realidade, de um desabafo, de uma ruptura com os defensores da "poesia orvalho".

Bandeira já tinha chocado os tradicionalistas da literatura com o seu poema "Os Sapos", por ocasião da Semana da Arte Moderna, em 1922. Ele não alisava. Escandalizava os conservadores. E ainda por cima oferecia a eles uma "receita de poesia", cujos ingredientes estavam todos "na marca suja da vida". Os assépticos arrepiaram os cabelos.

Confiram o poema Nova Poética:

Vou lançar a teoria do poeta sórdido.
Poeta sórdido: há a marca suja da vida.
Vai um sujeito,
Sai um sujeito de casa com a roupa de brim branco muito bem engomada,
e na primeira esquina passa um caminhão,
salpica-lhe o paletó de uma nódoa de lama:

É a vida.

O poema deve ser como a nódoa no brim:
Fazer o leitor satisfeito de si dar o desespero.

Sei que a poesia é também orvalho.
Mas este fica para as menininhas, as estrelas alfas, as virgens
cem por cento e as amadas que envelheceram sem maldade.

Quem quisar mais Bandeira, pode acessar o seguinte endereço:
http://letrasiesm.blogspot.com/2009/10/manuel-bandeira.html

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Cecília: Verso e Prosa

"...Liberdade, essa palavra
que o sonho humano alimenta
que não há ninguém que explique
e ninguém que não entenda..."
(Romanceiro da Inconfidência)

A escritora Cecília Meireles (1901-1964) deveria ser mais difundida. A sua obra é vasta e de alta qualidade. Muitos títulos da autora estão fora de catálogo. Só garimpando em sebos para conseguir seus livros mais famosos. Um fato contribuiu para emperrar a circulação dos seus trabalhos: uma briga familiar dos herdeiros que dura mais de duas décadas.

E pensar que existe muito material da autora ainda inédito. Só a Editora Nova Fronteira afirma que possui em seu poder textos para aproximadamente quatro volumes em prosa. As publicações são adiadas devido ao medo de contestações judiciais por parte dos herdeiros.

Trata-se de uma injustiça com a obra da autora e, também, com os seus leitores. Cecília obteve, em seu tempo, o reconhecimento da crítica e do público. Possuía a mesma habilidade com a poesia e a prosa. Certa feita, Manuel Bandeira assim a definiu: “Concha, mas de orelha; Água, mas de lágrima; Ar com sentimento. Brisa, viração. Da asa de uma abelha”.

Como poeta, Cecília é musical, de um lirismo puro, fluido, transcendente, que perpassa a efemeridade da vida, buscando continuamente a forma da simplicidade, sem abandonar o preciosismo do fazer poético. O crítico e ensaísta Davi Arrigucci Jr chegou a afirmar sobre a poeta: “...Cecília Meireles parece ter cantado sempre o mesmo tema: a busca do eterno no transitório, do transcendente no contingente, do milênio no minuto”.

O poema Motivo, que foi musicado pelo cantor Fagner e obteve grande sucesso nos anos 80, é um bom exemplo do estilo poético de Cecília:

Eu canto porque o instante existe
e a minha vida está completa.
Não sou alegre nem sou triste:
sou poeta.
Irmão das coisas fugidias,
não sinto gozo nem tormento.
Atravesso noites e dias
no vento.
Se desmorono ou se edifico,
se permaneço ou me desfaço,
- não sei, não sei. Não sei se fico
ou passo.
Sei que canto. E a canção é tudo.
Tem sangue eterno a asa ritmada.
E um dia sei que estarei mudo:
- mais nada.

Agora, um outro poema de Cecília, que representa muito bem a sua temática. Ele se chama Canção.

Pus o meu sonho num navio
e o navio em cima do mar;
- depois, abri o mar com as mãos,
para o meu sonho naufragar

Minhas mãos ainda estão molhadas
do azul das ondas entreabertas,
e a cor que escorre de meus dedos
colore as areias desertas.

O vento vem vindo de longe,
a noite se curva de frio;
debaixo da água vai morrendo
meu sonho, dentro de um navio...

Chorarei quanto for preciso,
para fazer com que o mar cresça,
e o meu navio chegue ao fundo
e o meu sonho desapareça.

Depois, tudo estará perfeito;
praia lisa, águas ordenadas,
meus olhos secos como pedras
e as minhas duas mãos quebradas.

Quanto à sua prosa, um texto do livro “Escolha o Seu Sonho”, que reúne 46 crônicas, dá bem a dimensão da qualidade de sua escrita. A crônica chama-se “Liberdade”, que reproduzo na íntegra:

“Deve existir nos homens um sentimento profundo que corresponde a essa palavra LIBERDADE, pois sobre ela se têm escrito poemas e hinos, a ela se tem até morrido com alegria e felicidade.

Diz-se que o homem nasceu livre, que a liberdade de cada um acaba onde começa a liberdade de outrem; que onde não há liberdade não há pátria; que a morte é preferível à falta de liberdade; que renunciar à liberdade é renunciar à própria condição humana; que a liberdade é o maior bem do mundo; que a liberdade é o oposto à fatalidade e à escravidão; nossos bisavós gritavam “Liberdade, Igualdade e Fraternidade!”. Nossos avós cantaram: “Ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil!”; nossos pais pediam: “Liberdade! Liberdade! – abre as asas sobre nós”, e nós recordamos todos os dias que “o sol da liberdade em raios fúlgidos – brilhou no céu da Pátria…” – em certo instante.

Somos, pois criaturas nutridas de liberdade há muito tempo, com disposições de cantá-la, amá-la, combater e certamente morrer por ela.

Ser livre – como diria o famoso conselheiro… – é não ser escravo; é agir segundo a nossa cabeça e o nosso coração, mesmo tendo que partir esse coração e essa cabeça para encontrar um caminho… Enfim, ser livre é ser responsável, é repudiar a condição de autônomo e de teleguiado – é proclamar o triunfo luminoso do espírito. (Supondo que seja isso.)

Ser livre é ir mais além: é buscar outro espaço, outras dimensões, é ampliar a órbita da vida. É não estar acorrentado. É não viver obrigatoriamente entre quatro paredes.

Por isso, os meninos atiram pedras e soltam papagaios. A pedra inocentemente vai até onde o sono das crianças deseja ir. (Às vezes, é certo, quebra alguma coisa, no seu percurso…).

Os papagaios vão pelos ares até onde os meninos de outrora (muito de outrora!…) não acreditavam que se pudesse chegar tão simplesmente, com um fio de linha e um pouco de vento!…

Acontece, porém, que um menino, para empinar um papagaio, esqueceu-se da fatalidade dos fios elétricos e perdeu a vida.

E os loucos que sonharam sair de seus pavilhões, usando a fórmula do incêndio para chegarem à liberdade, morreram queimados, com o mapa da Liberdade nas mãos!…

São essas coisas tristes que contornam sombriamente aquele sentimento luminoso da LIBERDADE. Para alcançá-la estamos todos os dias expostos à morte. E os tímidos preferem ficar onde estão, preferem mesmo prender melhor suas correntes e não pensar em assunto tão ingrato.

Mas os sonhadores vão para a frente, soltando seus papagaios, morrendo nos seus incêndios, como as crianças e os loucos. E cantando aqueles hinos que falam de asas, de raios fúlgidos – linguagem de seus antepassados, estranha linguagem humana, nestes andaimes dos construtores de Babel…”

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Haicais de Quintana

Foto: livre

O mestre Quintana dominava como ninguém o coloquial, sem cair no simplismo e na superficialidade. Cá prá nós, isso não é fácil. Escrever fácil é difícil prá burro (com o perdão do trocadilho).

No livro de Haicais,organizado por Ronald Polito, da Editora Globo, Quintana exercita seu estilo com maestria. Dizem que esses poemas foram influenciados pela leitura de Jorge Luis Borges. Dou-me o direito da dúvida. Por mais que procure, não acho Borges em Quintana. E vice-versa.

Há, também, quem atribua à escrita de Quintana "ecos simbolistas". Também sou cético nesse sentido. Se existe nostalgia no que escreve, também existe muito humor. Se me fosse pedido para enquadrar (olha que absurdo) Quintana numa escola literária, não hesitaria: "pertence à escola quintaniana".

O escritor, falecido em 5 de maio de 1994, definiu com extremo bom-humor a receita da simplicidade: "Quando alguém pergunta a um autor o que este quis dizer, é porque um dos dois é burro".

Reproduzo, abaixo, alguns dos haicais do livro de Quintana. Leitura saborosa.

Diário de Viagem
O poeta foi visto por um rio,
por uma árvore,
por uma estrada...

Verão
Quando os sapato ringem,
- quem diria?
São os teus pés que estão cantando!

Os Grilos
Eles cantam a noite inteira!
São sabias?
Os gripos são os poetas mortos...

S.O.S.

O poema é uma garrafa de náufrago jogada ao mar.
Quem a encontra
Salva-se a si mesmo...

Arte Poética

Esses poetas que tudo dizem
Nada conseguem dizer:
Estão fazendo apenas relatórios...

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Yesterday: a história da canção



Inicialmente, Yesterday se chamava "Scrambled eggs". A canção foi composta ao piano, perto da cama de Paul McCarteney, na casa dos Asher, em Wimpole Street. "Ela veio completa", revelou o ex-Beatle, tempos depois. Isso, possivelmente, no início de 1965.

A letra foi escrita em meados de 1965, quando Paul tirava férias em Portugal, na casa de verão do guitarrista da banda Shadows, Bruce Welch. Para finalizar a letra ele pegou um violão emprestado do amigo, enquanto se deslocava de carro do aeroporto de Lisboa para Albufeira.

A canção foi gravada no estúdio Abbey Road, dois dias depois de Paul retornar de Portugal. Ela fez parte do álbum Help!, lançado no Reino Unido em agosto de 1965. Nos EUA, o lançamento ocorreu em 13 de setembro de 1966. Transformou-se numa das canções mais executadas em todos os tempos. Um marco do cancioneiro popular. Enfim, um clássico que embala gerações.

As informações fazem parte do livro "The Beatles - a história por trás de todas as canções".


Abaixo uma tradução da letra desta canção.


Yesterday (Ontem)


Ontem
Todos os meus problemas pareciam tão distantes
Agora parece que eles vieram pra ficar
Oh, eu acredito
No passado

De repente
Não sou metade do homem que costumava ser
Existe uma sombra pairando sobre mim

Oh ontem
Veio de repente

Por que ela
Teve que ir eu não sei
Ela não me disse
Eu disse
Algo de errado e agora eu sinto falta
Do ontem

Ontem
O amor era um jogo tão fácil de se jogar
Agora eu preciso de um lugar pra me esconder
Oh eu acredito
No passado

Por que ela
Teve que ir eu não sei
Ela não me disse
Eu disse
Algo de errado e agora eu sinto falta
Do ontem

Ontem
O amor era um jogo tão fácil de se jogar
Agora eu preciso de um lugar pra me esconder
Oh eu acredito
No passado

the beatles - let it be



Uma música emblemática dos Beatles: Let It Be. Um dos grandes sucessos do grupo de rock mais popular do século XX. Influenciou gerações. Embora seja um clássico dos anos 60, não é datada. E é exatamente isso que diferencia uma obra comum de outra extraordinária. A história dessa música também é contada no livro de Steve Turner.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Livro enfoca a história por trás das músicas dos Beatles


Estou lendo um livro saboroso: “The Beatles - A História Por Trás de Todas as Canções”. O autor é o jornalista inglês Steve Turner. Trata-se de um trabalho de fôlego, que consumiu muita pesquisa. Foram dissecadas todas as 208 canções dos Beatles, que vai de 1962 até 1970, quando a maior banda de rock de todos os tempos foi dissolvida. Leitura imperdível para todo beatlemaníaco e para quem gosta de música.

Encontrei uma resenha do livro muito boa, divulgada pela Agência Estado, que foi reproduzida pelo jornal “A Tarde OnLine”, de Salvador (BA), em 7 de dezembro de 2009. Quem tiver interesse na leitura do texto é só acessar o link: http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=1303706