quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
Yesterday: a história da canção
Inicialmente, Yesterday se chamava "Scrambled eggs". A canção foi composta ao piano, perto da cama de Paul McCarteney, na casa dos Asher, em Wimpole Street. "Ela veio completa", revelou o ex-Beatle, tempos depois. Isso, possivelmente, no início de 1965.
A letra foi escrita em meados de 1965, quando Paul tirava férias em Portugal, na casa de verão do guitarrista da banda Shadows, Bruce Welch. Para finalizar a letra ele pegou um violão emprestado do amigo, enquanto se deslocava de carro do aeroporto de Lisboa para Albufeira.
A canção foi gravada no estúdio Abbey Road, dois dias depois de Paul retornar de Portugal. Ela fez parte do álbum Help!, lançado no Reino Unido em agosto de 1965. Nos EUA, o lançamento ocorreu em 13 de setembro de 1966. Transformou-se numa das canções mais executadas em todos os tempos. Um marco do cancioneiro popular. Enfim, um clássico que embala gerações.
As informações fazem parte do livro "The Beatles - a história por trás de todas as canções".
Abaixo uma tradução da letra desta canção.
Yesterday (Ontem)
Ontem
Todos os meus problemas pareciam tão distantes
Agora parece que eles vieram pra ficar
Oh, eu acredito
No passado
De repente
Não sou metade do homem que costumava ser
Existe uma sombra pairando sobre mim
Oh ontem
Veio de repente
Por que ela
Teve que ir eu não sei
Ela não me disse
Eu disse
Algo de errado e agora eu sinto falta
Do ontem
Ontem
O amor era um jogo tão fácil de se jogar
Agora eu preciso de um lugar pra me esconder
Oh eu acredito
No passado
Por que ela
Teve que ir eu não sei
Ela não me disse
Eu disse
Algo de errado e agora eu sinto falta
Do ontem
Ontem
O amor era um jogo tão fácil de se jogar
Agora eu preciso de um lugar pra me esconder
Oh eu acredito
No passado
the beatles - let it be
Uma música emblemática dos Beatles: Let It Be. Um dos grandes sucessos do grupo de rock mais popular do século XX. Influenciou gerações. Embora seja um clássico dos anos 60, não é datada. E é exatamente isso que diferencia uma obra comum de outra extraordinária. A história dessa música também é contada no livro de Steve Turner.
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
Livro enfoca a história por trás das músicas dos Beatles
Estou lendo um livro saboroso: “The Beatles - A História Por Trás de Todas as Canções”. O autor é o jornalista inglês Steve Turner. Trata-se de um trabalho de fôlego, que consumiu muita pesquisa. Foram dissecadas todas as 208 canções dos Beatles, que vai de 1962 até 1970, quando a maior banda de rock de todos os tempos foi dissolvida. Leitura imperdível para todo beatlemaníaco e para quem gosta de música.
Encontrei uma resenha do livro muito boa, divulgada pela Agência Estado, que foi reproduzida pelo jornal “A Tarde OnLine”, de Salvador (BA), em 7 de dezembro de 2009. Quem tiver interesse na leitura do texto é só acessar o link: http://www.atarde.com.br/cultura/noticia.jsf?id=1303706
domingo, 2 de janeiro de 2011
Borges: o escritor e a eternidade
Para começar o ano um poema de Jorge Luis Borges, que integra o livro "Nova Antologia Pessoal", da Editora Difel (1982). Chama-se "O Instante" e é uma reflexão sobre a passagem do tempo, sobre a existência, a velhice e a eternidade. Enfim, questionamentos que fazemos nessa época do ano. O aclamado escritor argentino discorre também sobre passado, presente e futuro. Com a peculiar erudição de sempre.
O Instante
Onde estarão os séculos, o sonho
de espadas, o que os tártaros sonharam,
onde os sólidos muros que aplanaram,
onde a árvore de Adão e o outro Lenho?
O presente está só. Mas a memória
erige o tempo. Sucessão e engano,
esta é a rotina do relógio. O ano
jamais é menos vão que a vã história.
Entre a alba e a noite há um abismo
de agonias, de luzes, de cuidados;
o rosto que se vê nos desgastados
e noturnos espelhos não é o mesmo.
O hoje fugaz é tênue e é eterno;
nem outro Céu nem outro Inferno esperes.
A Virada e o Amanhã
Dois mil e dez se foi. Viramos mais um folhinha do calendário. Agora, encaremos 2011 com esperança renovada. Afinal, o otimismo deve dar a tônica em nossas ações. Do contrário, seremos como que paralisados. Seguir, seguir em frente. Essa é a sina. Para retratar momentos como o atual, sempre me vem à mente a música Amanhã, do Guilherme Arantes, que reproduzo a seguir:
Amanhã
Guilherme Arantes
Composição: Guilherme Arantes
Amanhã!
Será um lindo dia
Da mais louca alegria
Que se possa imaginar
Amanhã!
Redobrada a força
Prá cima que não cessa
Há de vingar
Amanhã!
Mais nenhum mistério
Acima do ilusório
O astro rei vai brilhar
Amanhã!
A luminosidade
Alheia a qualquer vontade
Há de imperar!
Há de imperar!
Amanhã!
Está toda a esperança
Por menor que pareça
Existe e é prá vicejar
Amanhã!
Apesar de hoje
Será a estrada que surge
Prá se trilhar
Amanhã!
Mesmo que uns não queiram
Será de outros que esperam
Ver o dia raiar
Amanhã!
Ódios aplacados
Temores abrandados
Será pleno!
Será pleno!
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
Imperdível: exposição de Pessoa no Museu da Língua Portuguesa
Fui visitar, no dia 2 de dezembro, a Exposição em homenagem a Fernando Pessoa, no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo. O título da exposição é apropriado ao escritor: “Plural como o universo”. Para quem se interessar, ela continua em cartaz até o dia 30 de janeiro de 2011. Vale a pena. Explico porque.
Você tem contato com o universo de um escritor genial. Singular na sua forma plural de se expressar. O acesso ao local da exposição é muito fácil. Trata-se da Estação da Luz, onde você tem duas opções: trem e metrô. O prédio possui arquitetura inglesa do início do século XX e foi restaurado e adaptado para receber as instalações do Museu. A inauguração foi em 2006.
Uma curiosidade: nos três primeiros anos do Museu, mais de 1,6 milhão de pessoas visitaram o espaço. É um dos mais visitados do Brasil e de toda a América do Sul. Ele se diferencia das demais instituições pelo resto do mundo por utilizar tecnologia de ponta e recursos interativos.
Além do que, o ingresso é barato. A inteira custa R$ 8,00. É um programa educativo e cultural para toda a família. Ao entrar no ambiente da exposição você vai se deparar com cinco cabines. Nelas são projetados poemas do autor e de seus heterônimos - Alberto Caieiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos e Bernardo Soares. Ao levantar a mão sobre o projetor você dá o comando para a leitura do poema seguinte.
Em seguida, o visitante é conduzido a um labirinto. Nele estão expostos trechos de poemas e numerosas ilustrações do poeta. A cenografia criada é muito criativa e diversificada. As luzes conduzem o olhar para o essencial. Dentro de vitrines você tem contato com manuscritos, fac-símiles e originais datilografados de Pessoa.
No fundo da exposição, o mais interessante. Somos como que transportados a um ambiente marítimo.Sentimos as ondas quebrando na praia. Poemas são projetados na areia, dando a sensação de que foram escritos nesse espaço. A iluminação possui diferentes tons de azul. Tudo interativo. Ao levantar a mão, outro poema é projetado. É uma viagem onírica em torno da obra do bardo português. Uma merecida homenagem.
quarta-feira, 22 de dezembro de 2010
Em Sampa, no Show de Paul

Fui a São Paulo no dia 22 de novembro. Objetivo: assistir ao show de Paul Mc Cartney. Chovia a cântaros no momento do desembarque, naquela tarde tipicamente paulistana. Os camelôs fizeram a festa. Capas de chuva de plástico, descartáveis, que no dia anterior eram vendidas a R$ 5,00 tiveram os preços majorados para R$ 10,00. Lei da oferta e da procura.
Era uma segunda-feira. O trânsito paulistano, com a chuva, estava ainda mais complicado. Fiquei no Hotel Formula 1, de frente para o Shopping Murumbi. Para conseguir um táxi, para chegar até o local do show, só entrando numa fila. Isso era o de menos, comparado com a outra fila que tivemos que encarar para entrar no estádio do Murumbi. Enquanto isso, a chuva não dava tréguas.
Até a abertura dos portões aguardamos, seguramente, por mais de uma hora. Apesar disso, não houve nenhum tumulto. Todos aguardavam com ansiedade o show do ex-beatle, depois de 17 anos da última apresentação em Sampa. Sem dúvida, um acontecimento histórico. Estávamos diante de um dos principais nomes da música Pop do século XX.
Depois que adentramos o estádio, por volta das 19h30, mais duas horas de espera até o início do espetáculo. Imagina a aflição e a fadiga. Mais de três horas em pé, debaixo de chuva, até Paul entrar no gigantesco palco. Eu estava na pista. Enquanto isso, o púbico não parava de chegar no Morumbi. Contagem final: 64 mil pessoas. Igual à noite anterior, domingo. Só que nesse dia São Pedro foi mais camarada: não choveu.
A verdade é que ninguém estava nem aí prá chuva. Ok. Tá bom. Falar isso é força de expressão. O meu filho mais novo – Danilo-, estava aborrecido. Ele usa óculos (e eu também). As lentes ficaram embaçadas, anuviadas. Um saco. Quem usa óculos sabe do que estou falando. Você pega um lenço, limpa as benditas, minutos depois, olha elas totalmente embaçadas. Assim, não dá.
Mas, deu. Por que? Por um desses milagres da natureza, a chuva parou, pouco antes do início do show. E não mais voltou. A entrada do Paul no palco foi uma apoteose. A simpatia, o carisma e a presença de palco do artista comoveram a platéia. Diferentes gerações entoaram os hits do ex-beatle em uníssono. Ele desfilou um repertório de músicas que fazem parte do imaginário popular. Músicas que expressavam o espírito de uma geração, mas que não ficaram datadas. Daí porque são contemporâneas e conquista novos admiradores.
Havia sido montada uma grande parafernália para assegurar um show irretocável. Jovens casais dançavam, se abraçavam, se beijavam. Casais nem tão jovens, faziam o mesmo. De repente, o tempo parou. Não estávamos em São Paulo, em pleno século XXI. Estávamos num local qualquer do planeta terra, em meados dos anos 60, do século passado, ouvindo e curtindo a única coisa que interessava naquele momento: a revolucionária música do quarteto de Liverpool.
Os meus dois filhos, que me acompanhavam, Danilo (de quem falei), e o Bruno, que estuda em São Paulo, estavam em êxtase. Não era para menos. O som que ecoava naquele estádio imenso embalou milhões de pessoas em todo o mundo por décadas. Todos fazíamos parte de uma única tribo: os amantes do Beatles. A música, universal, nos reunia, nos unia, nos afagava, nos inebriava. Quando Paul agradeceu: “obrigado, paulistas”, na realidade, deveria ter dito: “obrigado, brasileiros”.
O Morumbi estava lotado de pessoas de todo o Brasil. Identifiquei na platéia baianos, pernambucanos, mineiros, cariocas, paranaenses e amazonenses. É claro que os paulistas eram maioria. Verdade seja dita: eles (paulistas) nos receberam muito bem. Tudo foi - quase- irretocável. Quase, porque a chuva nos fustigou. Mas Paul não teve culpa. Pelo contrário. Ele fez daquela noite chuvosa da maior metrópole do Brasil um momento inesquecível, único. Palmas para Sir Paul Mc Cartney.
Em tempo: quem quiser saber um pouco mais sobre o repertório do show, sugiro que acesse o seguinte link: http://migre.me/37SX1
Abaixo,meu ingresso do show de Paul no dia 22 de novembro.
Vinicius e a Crônica

Folheando uma coletânea de Vinicius de Moraes, deparei-me com um texto que é, ao mesmo tempo, uma apologia da crônica e um "manual prático" sobre como exercitá-la. Não por outra razão, o título dado pelo poeta é "O exercício da Crônica". Para quem se interessa por essa forma de expressão, o conteúdo é essencial. E mais que tudo: é uma leitura prazerosa. Ela foi escrita em setembro de 1953, há quase 60 anos. Fala Vinicius:
"O cronista trabalha com um instrumento de grande divulgação, influência e prestígio, que é a palavra impressa. Um jornal, por menos que seja, é um veículo de idéias que são lidas, meditadas e observadas por uma determinada corrente de pensamento formada à sua volta.
Um jornal é um pouco um organismo humano. Se o editorial é o cérebro; os tópicos e notícias, as artérias e veias; as reportagens, os pulmões; o artigo de fundo,o fígado; e as seções, o aparelho digestivo - a crônica é o seu coração. A crônica é matéria tácita de leitura, que desafoga o leitor da tensão do jornal e lhe estimula um pouco a função do sonho e uma certa disponibilidade dentro de um cotidiano quase sempre ´muito tido, muito visto, muito conhecido´, como diria o poeta Rimbaud.
Daí a seriedade do ofício do cronista e a frequência com que ele, sob a pressão de sua tirania diária, aplica-lhe balões de oxigênio. Os melhores cronistas do mundo, que foram os do século XVIII, na Inglaterra - os chamados essayists -, praticaram o essay, isto de onde viria a sair a crônica moderna, com um zelo artesanal tão proficiente quanto o de um bom carpinteiro ou relojoeiro. Libertados da noção exclusivamente moral do primitivo essay, os oitocentistas ingleses deram à crônica suas primeiras lições de liberdade, casualidade e lirismo, sem perda do valor formal e da objetividade. Addison, Steele, Goldsmith e sobretudo Hazlitt e Lamb - estes os dois maiores - fizeram da crônica, como um bom mestre carpinteiro o faria com uma cadeira, um objeto leve mas sólido, sentável por pessoas gordas ou magras.
Do último, a crônica "O Convaslescente" serviria bem para ilustrar o estado de espírito maníaco-lírico-depressivo do cronista de hoje, inteiramente entregue ao egoísmo de sua doença e à constante consideração de sua pessoainha, isolado no seu mundo de cortinas corridas, a lamber complacentemente as própria feridas diantes de um espelho pessimista.
Num mundo doente a lutar pela saúde, o cronista não se pode comprazer em ser também ele um doente; em cair na vaguidão dos neurastenizados pelo sofrimento físico; na falta de segurança e objetividade dos enfraquecidos por excessos de cama e carência de exercícios. Sua obrigação é ser leve, nunca vago; íntimo, nunca intimista; claro e preciso, nunca pessimista. Sua crônica é um copo d´água em que todos bebem, e a água há que ser fresca, limpa, luminosa para a satisfação real dos que nela matam a sede.
Num momento em que o grande mal de grande parte do mundo é o entreguismo, a timidez e a franca covardia, o exercício da crônica reticente, da crônica vaga, da crônica temperamental, da crônica ególatra, da crônica à clef, da crônica de cartola - é um crime tão grande quanto o de se vender, em época de epidemia, um antibiótico adulterado. A restauração da crônica, no espírito da dignidade com que a praticaram os essayists ingleses do século XVIII, deveria constituir matéria de funda meditação por parte de seus cultores no Brasil".
quarta-feira, 29 de setembro de 2010
JK: O Artista do Impossível

O título acima é do livro do jornalista e escritor Cláudio Bojunga. Trata-se de uma obra seminal sobre os Anos JK, que compreende a segunda metade dos anos 50 do século passado. O livro nos oferece elementos preciosos para entender melhor o Brasil de hoje. A pesquisa para sua elaboração consumiu dez anos. Isso, por si só, nos mostra a seriedade desse trabalho.
Que fique claro: o autor nos oferece uma análise da política no Brasil em todo o século XX. Percorre a República Velha, o Estado Novo, a Redemocrátização Pós-45, suicídio de Vargas, governo JK, e, na sequência, os governos Jango e Jânio, o golpe de 64 e os anos de exílio do presidente Bossa Nova até a sua morte, em 1976.
É uma leitura, desculpe a repetição, essencial para entender o Brasil. Se Vargas fincou as bases iniciais para a industrialização e o ingresso do país na modernidade, foi JK o responsável pela sua consolidação. Visionário, empreendedor, conciliador, democrata. São muitos os adjetivos para qualificá-lo. É preciso muito mais para entendê-lo. O livro está a altura do personagem.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Clarice Enigma

Agora em dezembro completam-se 32 anos da morte da escritora Clarice Lispector, um dos principais nomes da literatura brasileira do século XX. De origem ucraniana, Clarice também nasceu em dezembro, no dia 10, em 1920. Chegou ao Brasil com um ano de idade. Viveu a infância e parte da adolescência em Recife. Mudou-se para o Rio de Janeiro em 1935.
Aos 20 anos iniciou atividade no jornalismo, embora tenha cursado Direito, função que nunca exerceu. Construiu uma sólida carreira literária. Sua obra inclui contos, crônicas e romances. Seu estilo é singular. Introspectivo. Em artigo publicado no The New York Times, em 2005, foi descrita como o equivalente de Kafka na literatura latino-americana.
Carlos Drummond de Andrade definiu em versos a sua admiração pela escritora:
- Onde estiveste de noite
Que de manhã regressais
com o ultramundo nas veias,
entre flores abissais?
– Estivemos no mais longe
que a letra pode alcançar:
lendo o livro de Clarice,
mistério e chave do ar.
Clarice tinha consciência que era um mistério para si mesma. Sendo assim, como transpor as suas zonas de sombra? Como desvelar um pouco de sua personalidade? É necessário, pois, procurar as chaves para abrir as gavetas e pinçar (ou laçar) palavras para compor seu auto-retrato.
Ela confessou certa feita que jamais escreveria uma autobriografia. Mas é fato que deixou muitas pistas para os seus biógrafos. Estas pistas, claro, estão nos seus escritos, na composição de seus personagens e, também, nas suas crônicas confessionais.
O leitor atento sempre vai encontrar em algum escrito de Clarice uma nova chave para entender os seus mistérios. A leitura de sua obra é o mapa que possibilita “reveladores vislumbres de sua densa personalidade”, como assinalou Pedro Karb Vasquez, no site oficial da escritora.
Num depoimento sobre Clarice, com quem trabalhou em duas oportunidades , no Jornal do Brasil e no Diário da Noite, o jornalista Alberto Dines assim a definiu: “Clarice era tudo menos óbvia. Ela era secreta”.
Ou seja, isso reafirma, uma vez mais, a sentença: As gavetas secretas de Clarice são os seus escritos. Ler Clarice é como penetrar num porão escuro que aos poucos vai se iluminando. Bem-vindos ao mundo secreto de Clarice.
“Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. A felicidade sempre iria ser clandestina para mim. Para que eu já pressentia. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada”.
(Do conto Felicidade Clandestina)
“Pela primeira vez, ele, que era um ser votado à moderação, pela primeira vez sentiu-se atraído pelo imoderado: atração pelo extremo impossível. Numa palavra, pelo impossível. E pela primeira vez teve então amor pela paixão”.
(Do conto Amor pela Paixão)
“Ah, está se tornando difícil escrever. Porque sinto como ficarei de coração escuro ao constatar que, mesmo me agregando tão pouco à alegria, eu era de tal modo sedenta que um quase nada já me tornara uma menina feliz”.
(Do conto Restos do Carnaval)
“Porque eu fazia do amor um cálculo matemático errado: pensava que, somando as compreensões, eu somava. Não sabia que, somando as incompreensões, é que se ama verdadeiramente”.
(Do conto Perdoando Deus)
“...meu sacrifício é reduzir-me à minha vida pessoal. Fiz do meu prazer e da minha dor o meu destino disfarçado”.
(Do conto O Ovo e a Galinha)
Os textos a seguir foram extraídos do livro “Aprendendo a Viver” -Clarice Lispector. Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004. Estes trechos estão no site oficial da escritora www.claricelispector.com.br
Viver e escrever
“Quando comecei a escrever, que desejava eu atingir? Queria escrever alguma coisa que fosse tranqüila e sem modas, alguma coisa como a lembrança de um alto monumento que parece mais alto porque é lembrança. Mas queria, de passagem, ter realmente tocado no monumento. Sinceramente não sei o que simbolizava para mim a palavra monumento. E terminei escrevendo coisas inteiramente diferentes.”
“Não sei mais escrever, perdi o jeito. Mas já vi muita coisa no mundo. Uma delas, e não das menos dolorosas, é ter visto bocas se abrirem para dizer ou talvez apenas balbuciar, e simplesmente não conseguirem. Então eu quereria às vezes dizer o que elas não puderam falar. Não sei mais escrever, porém o fato literário tornou-se aos poucos tão desimportante para mim que não saber escrever talvez seja exatamente o que me salvará da literatura”.
Amar os Outros
“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. O ‘amar os outros’ é tão vasto que inclui até perdão para mim mesma, com o que sobra. As três coisas são tão importantes que minha vida é curta para tanto. Tenho que me apressar, o tempo urge. Não posso perder um minuto do tempo que faz minha vida. Amar os outros é a única salvação individual que conheço: ninguém estará perdido se der amor e às vezes receber amor em troca [...].”
Ideal de vida
“Um nome para o que eu sou, importa muito pouco. Importa o que eu gostaria de ser.
O que eu gostaria de ser era uma lutadora. Quero dizer, uma pessoa que luta pelo bem dos outros. Isso desde pequena eu quis. Por que foi o destino me levando a escrever o que já escrevi, em vez de também desenvolver em mim a qualidade de lutadora que eu tinha? Em pequena, minha família por brincadeira chamava-me de ‘a protetora dos animais’. Porque bastava acusarem uma pessoa para eu imediatamente defendê-la.
[...] No entanto, o que terminei sendo, e tão cedo? Terminei sendo uma pessoa que procura o que profundamente se sente e usa a palavra que o exprima.
É pouco, é muito pouco.”
Lúcida em excesso
“Estou sentindo uma clareza tão grande que me anula como pessoa atual e comum: é uma lucidez vazia, como explicar? assim como um cálculo matemático perfeito do qual, no entanto, não se precise. Estou por assim dizer vendo claramente o vazio. E nem entendo aquilo que entendo: pois estou infinitamente maior do que eu mesma, e não me alcanço. Além do quê: que faço dessa lucidez? Sei também que esta minha lucidez pode-se tornar o inferno humano — já me aconteceu antes. Pois sei que — em termos de nossa diária e permanente acomodação resignada à irrealidade — essa clareza de realidade é um risco. Apagai, pois, minha flama, Deus, porque ela não me serve para viver os dias. Ajudai-me a de novo consistir dos modos possíveis. Eu consisto, eu consisto, amém.”.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Herman Hesse: para pensar

Herman Hesse (1877-1962) foi um escritor alemão de sucesso mundial.Isso no século XX. Até os anos 70, era muito lido, especialmente entre os jovens adeptos da chamada contracultura. Os hippies, da geração paz e amor. Escreveu obras de grande importância: "O Lobo da Estepe", "O Jogo das Contas de Vidro" e "Sidarta".
Na atualidade, fala-se pouco de Hesse, o que é uma injustiça. Sua obra é perene, sobrevive aos modismos. Pacifista, difundiu a cultura Oriental no Ocidente. Foi um pensador refinado. Um grande humanista e uma das figuras luminares das letras do século XX.
Para que se conheça um pouco de sua verve, transcrevo algumas frases que revelam centelhas do seu pensamento. Vale a pena reabilitar para os nossos jovens um escritor da estatura de Hesse, vencedor do Nobel de Literatura de 1946.
Deliciem-se com algumas de suas frases:
"Nada lhe posso dar que já não exista em você mesmo. Não posso abrir-lhe outro mundo de imagens, além daquele que há em sua própria alma. Nada lhe posso dar a não ser a oportunidade, o impulso, a chave. Eu o ajudarei a tornar visível o seu próprio mundo, e isso é tudo".
***
"O homem culto é apenas mais culto; nem sempre é mais inteligente que o homem simples".
***
"A paz não é um estado primitivo paradisíaco, nem uma forma de convivência regulada pelo acordo. A paz é algo que não conhecemos, que apenas buscamos e imaginamos. A paz é um ideal".
***
"Ninguém pode ver nem compreender nos outros o que ele próprio não tiver vivido".
***
"A sabedoria não pode ser transmitida. A sabedoria que um sábio tenta transmitir soa mais como loucura".
***
"Quem é pequeno vê no maior apenas o que um pequeno é capaz de perceber".
***
"Sem amor por si mesmo, o amor pelos outros também não é possível. O ódio por si mesmo é exactamente idêntico ao flagrante egoísmo e, no final, conduz ao mesmo isolamento cruel e ao mesmo desespero".
***
"A alegria e o sofrimento são inseparáveis como compassos diferentes da mesma música".
***
"Ler um livro é para o bom leitor conhecer a pessoa e o modo de pensar de alguém que lhe é estranho. É procurar compreendê-lo e, sempre que possível, fazer dele um amigo".
Hermann Hesse
domingo, 20 de dezembro de 2009
A sabedoria de Blake

"A maledicência revigora. O elogio relaxa".
A epígrafe que abre este texto parodia o poeta inglês William Blake. O velho e sábio Blake imprimiu a seus escritos um tom profético e místico. Usava uma linguaguem poderosa para afirmar a sua convicção na imaginação do ser humano.
Diferente de Blake, existem aqueles que se utilizam da imaginação e da má-fé (sobretudo esta última) para atingir outras pessoas. E o que é pior: escudam-se sob o manto do anonimato para desferir aleivosias. Mentem e difamam.
Embora afeito a atitudes rasteiras, revelam-se mais traiçoeiros que animal peçonhento. Este, por instinto, ataca quando provocado ou, amiúde, para se alimentar. Não se utiliza de subterfúgios.
Aqueles, muito ao contrário. Desfecham ataques fortuitos por mero prazer. Daí porque, o líquido que destilam é putrefato, fruto do seu "habitat" natural: sombrio, sórdido e sem luz.
Nenhuma surpresa quando se descobre o seu alimento cotidiano, à base da inveja, da incapacidade, da insensatez e da insídia. Uma coisa é certa: à luz do dia, não sobrevivem.
Isto posto, o mais correto é seguir a máxima de Blake, autor da seguinte pérola: "Como o ar ao pássaro, e o mar ao peixe, o desprezo ao desprezível".
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
Brasília: 50 anos
Já foram deflagradas as comemorações dos 50 anos de Brasília. Muitas homenagens serão realizadas. Mas passado meio século, até hoje existem contestações sobre a mudança da capital. Haja saudosismo. Apesar disso, parece-me que foi inegável o acerto do presidente Juscelino de apostar na interiorização do Brasil.
Dentre inúmeros textos que exaltam Brasília, gostaria de reproduzir um em especial. O autor é o cronista e poeta mineiro Paulo Mendes Campos. É uma crônica do livro "Os Bares Morrem Numa Quarta-Feira" (Ed. Ática, 1980, 176 Pág.). O título é simplesmente "Brasília". Reproduzo os quatro parágrafos finais.
"Brasília comove. A mim comove. Sei que uma casa e uma praça são belas quando me comovem. Mas não conheci pelo mundo qualquer outra cidade que me comovesse em sua integridade, só pela compressão estética de suas linhas, independente de sua história ou de minhas motivações subjetivas.
Essa comoção me bastaria, se eu também não visse ali, envolvendo as massas arquitetônicas e os vazios esculturais, uma ordem mais concêntrica, uma idéia que se multiplica e oferece espaços vitais mais afáveis, uma sugestão para relações mais justas e leais entre os habitantes de cidade, uma concentração mais harmoniosa de possibilidades humanas.
Goethe dizia que os animais estão sempre tentando o impossível e conseguindo-o e que era esta a missão dos homens.
Brasília é um convite para que os brasileiros tentem o impossível: uma ordem limpa; a solidariedade social dentro da multiplicidade dos interesses humanos".
sábado, 14 de novembro de 2009
Memória e Esquecimento em Villas-Bôas Corrêa

Acabo de ler "Conversa com a Memória - A História de Meio Século de Jornalismo Político", do jornalista Villas-Bôas Corrêa (Ed. Objetiva, 2002, 288 pág.). O autor adverte que não é um livro de história, pois ele não é historiador; não é uma livro de especulação sociológica, posto que ele não é sociólogo. São as memórias de um jornalista com mais de meio século de ofício.
Registro de quem sempre esteve no olho do furacao, a obra narra os fatos mais significativos da história do Brasil a partir de 1945, após a queda da ditadura de Vargas. Passa pelo governo de Dutra, o retorno de Vargas voto popular, o suicídio do velho caudilho, a eleição e renúncia de Jânio Quadros, a ascenção e queda de Jango, o golpe militar, os governos dos generais, as diretas-já, a eleição e agonia de Tancredo, o governo Sarney e a vitória de Collor.
Quem é mais observador deve ter notado um hiato histórico - o governo de JK (1956-1961). Estranhamente, o veterano jornalista deixa uma lacuna em suas memórias. Discorre muito pouco sobre este período importante da história do Brasil. Como negar uma época tão singular e que marcou o país na segunda metade do século XX?
Foi durante o governo de JK que o Brasil começou, realmente, a ser desbravado. A olhar para dentro de si; é quando decide alterar o seu eixo de desenvolvimento. O país se dá conta que não se resumia ao litoral. A construção de Brasília fez com que a nossa arquitetura fosse respeitada mundialmente. O governo dos "50 anos em 5" revelou uma visão singularmente empreendedora.
Mas, vamos analisar as razões de Villas-Bôas Corrêa.
Villas-Bôas não esconde o saudosismo pela cobertura política que era feita no Rio de Janeiro. A cidade era, então, o centro do poder político e cultural do Brasil (décadas de 40 e 50 do século passado). Ele registra que foi na antiga capital da República, quando frequentava o Congresso em sessõs diárias, que se forjou o modelo de cobertura parlamentar e política que se pratica até hoje, com pequenas adaptações e evoluções.
O jornalista atribui à nova capital "a moda" da semana de dois, três dias úteis, nas sessões do Congresso Nacional. Na sua opinião, isso contribuiu para comprometer negativamente a cobertura política. "Nenhum jornal" - afirma - "transferiu para Brasília os seus quadros de repórteres especializados em acompanhar a rotina da atividade legislativa nas comissões e no plenário".
Villas-Bôas Corrêa demonstra toda a sua mágoa com Brasília quando faz a seguinte observação: "Nos tempos do Congresso no Rio a convivência com a família e a vigilância das esposas impunham a continuidade da rotina doméstica da pacata vida interiorana e da pausada cadência das capitais da maioria dos estados".
Como se vê, mesmo passados tantos anos, o jornalista não deglutiu Brasília. Ao longo do livro, ele deixa registrada inúmeras vezes a sua contrariedade com a construção da nova capital. Talvez, inconscientemente, dedica ao seu idealizador (JK) o pior de todos os sentimentos, superior, até mesmo, ao ódio: o desprezo.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Mídia Segmentada

Até há pouco tempo, quando se falava em mídia segmentada muitos não acreditavam na sua viabilidade. O reinado da mídia de massa era total e absoluto. Mas essas mídias eram praticamente inacessíveis para as pequenas e,em muitos casos, até para as médias empresas. Com custos proibitivos, só restava buscar mídias alternativas: panfletos, malas-diretas e carro de som, para ficar só com alguns exemplos.
Com a crescente influência da Internet a comunicação passou por uma profunda transformação. É notório que essa nova mídia redesenhou o quadro das mídias. Ela deu novo sentido ao conceito da segmentação. Hoje, cada vez mais, o marketing deve ser orientado para um determinado perfil e para atingir um determinado gosto.O marketing de massa cede lugar ao marketing individual.
Hoje, também, é possível saber o filme, a música, o livro, o divertimento preferido do cliente. Os produtos, serviços e, consequentemente, as mensagens podem ser produzidas de acordo com esse perfil. As mídias sociais permitem que se conheça com muito mais propriedade o cliente. Com uma vantagem: a minha mensagem pode chegar até ele de uma forma muito menos invasiva.
Isso significa o fim da propaganda de massa? É claro que não. Mas é evidente que existe uma diversificação. Além do mais, a segmentação não pode ser ignorada. O custo dessa estratégia é bem inferior. Basta ser trabalhada de maneira profissional. Os resultados, com certeza, vão aparecer.
Blogs, twitter, facebook, flickler, youtube, newsletter e outras mídias digitais serão cada vez mais instrumentos para falar com públicos específicos e antenados em novidades. Quem não reconhecer isso, estará de fora do "admirável mundo novo" no qual estamos inseridos.
sexta-feira, 10 de julho de 2009
Mídias Sociais: Uma Revolução

Não nutro entusiasmo cego pela tecnologia. Em especial, as novas. Por outro lado, seria uma enorme burrice ignorá-las. Também não me alinho às correntes que vaticinam que o surgimento de uma nova tecnologia representa, necessariamente, a morte de uma outra, já existente. A internet não veio para acabar com a TV, com os jornais impressos, com o rádio. Estas mídias, apenas, serão influenciadas e terão que se adapatar.
Nesse contexto, acredito que as mídias sociais chegaram para ficar. Conhecê-las e usá-las como ferramentas eficazes é o desafio que se impõe. Para o cidadão e para as empresas, para os órgãos públicos e para personalidades públicas (incluíndo, claro, os políticos). É fundamental entender que, por trás das mídias sociais, existem pessoas. Por isso, crescem as possibilidades de relacionamentos.
No fundo, a tecnologia é um acessório. O que interessa, prá valer, sãos as pessoas que as utiliza. Fazer o bom uso das mídias sociais pode render muito. Basta, pois, entender a abrangência e o significado dessa revolução que está se processando diante de nossos olhos. Uma coisa é certa: nada será como antes.
quarta-feira, 28 de janeiro de 2009
Diretas-Já: 25 Anos
Não posso deixar de registrar um fato histórico, transcorrido há 25 anos. Justamente no dia 25 de janeiro de 1984. O comício pelo retorno às eleições diretas para presidente da república, realizado em São Paulo, na Praça da Sé. Vivíamos em pleno Regime Militar. A escolha do Presidente da República era feita de forma indireta, através de um Colégio Eleitoral, totalmente manietado pelos militares.
O comício pelas "Diretas-Já", como o movimento ficou conhecido, detonou a maior mobilização de massas da história recente do Brasil. O pontapé dessas manifestações foi a cidade de São Paulo, para onde deslocaram-se milhares de pessoas, de diferentes localidades do Brasil. De Goiânia saíram cerca de cem ônibus, com aproximadamente três mil manifestantes. Eu estava entre eles.
Naquele 25 de janeiro de 1984 garoava em São Paulo. A multidão presente pouco se importava com as condições climáticas. Vestida de amarelo (a cor oficial da campanha), queria ouvir discursos inflamados, exigir o fim do regime militar e a volta das eleições diretas. Os oradores que mais se destacaram foram o então governador de São Paulo, Franco Montoro; o metalúrgico e líder de um partido surgido há pouco (PT), Luís Inácio Lula da Silva.
Mas dentre todos, uma figura se sobressaiu. Acabou se tornando um símbolo da luta pelo retorno à democracia no Brasil. Este personagem foi Ulysses Guimarães, que ficou conhecido pela alcunha de Sr. Diretas. A voz de Ulysses se confundia com a voz dos brasileiros que ansiavam pelo retorno à normalidade democrática.
Um dos momentos de maior emoção do comício de São Paulo foi quando a cantora Fafá de Belém entoou o Hino Nacional. Muitos não contiveram a emoção e choraram. Outra voz marcante foi a do locutor Osmar Santos (anos depois ele foi vítima de um acidente automobilístico que o deixou numa cadeira de rodas). Osmar converteu-se no locutor oficial das Diretas-Já.
Apesar de toda a mobilização popular em torno desse movimento (inclusive, em Goiânia, realizou-se um comício na Praça Cívica que reuniu milhares de manifestantes), a emenda Dante de Oliveira, que restaurava o direito do povo eleger o seu presidente foi derrotada no Congresso Nacional. Mas o movimento das Diretas-Já acabou apressando o fim do autoritarismo no Brasil. A oposição venceu os militares no Colégio Eleitoral. Tancredo Neves elegeu-se presidente. Um novo Brasil estava surgindo.
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
Uma Semana em Sampa

Semana passada estive em São Paulo. A princípio, uma goroa se insinuou.A temperatura estava agradável, abaixo dos 20 graus. A partir do meio da semana, o clima sofreu grande mudança. Os termômetros ultrapassaram os 30 graus. Não havia dúvidas. Estávamos em pleno Verão.
Quem não está a trabalho, o que faz em São Paulo nesse calor infernal? Muitos refugiam-se nos shoppings. Outros, buscam os parques. De todos, parece que o Ibirapuera é o melhor. Um grande Oásis no meio da imensa Selva de Pedra. Ótima alternativa para quem está em plena Avenida Paulista é o Parque Trianon (Ten. Siqueira Campos).
Nesses lugares privilegiados, a céu aberto, sem ar-condicionado, é possível até ouvir os cantos dos pássaros, ler um livro na sombra das árvores. Esquece-se, por alguns instantes, que estamos numa das maiores metrópoles do mundo. Juntamente com os museus, teatros, restaurantes e bares, o que São Paulo tem de melhor são os seus acolhedores parques. Principalmente, para quem está flanando pelas manhãs ou tardes ensolaradas de Sampa.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Exposição Gilberto Freire
Prossegue até o dia 18 de maio de 2009,no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a exposição "Gilberto Freire - Intérprete do Brasil". Trata-se de uma justa homenagem a um pesquisador que dedicou a sua vida a entender a cultura, a sociedade e o homem brasileiro. Freire, com sua obra Casa Grande & Senzala, revolucionou a historiografia no Brasil. Usou os seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar os fatos de forma inovadora.
O sociólogo foi ferrenho opositor do racismo. Em 1942 foi preso no Recife, sua cidade natal, por ter denunciado nazistas. Com seus estudos, ajudou a demolir o racismo biologizante que dominava nossas universidades. Ele foi doutor pelas universidades de Paris (Sorbonne), Columbia (EUA), Coimbra (Portugal), Sussex (Inglaterra) e Münster (Alemanha). Em 1971, a Rainha Elizabeth lhe conferiu o título de Sir (Cavaleiro do Império Britânico).
As voltas que o mundo dá
Desde o final de junho estive ausente deste blog. Por vários motivos. Mas não creio que seja relevante desfiá-los. Isso pouco importa. O essencial é retomar o ponto de partida. Registrar impressões, visões e aspirações. É o que pretendo fazer.Em seis meses muita coisa aconteceu. O mundo mudou. Uma crise econômica sem precedentes varreu os mercados. O mundo continua sobressaltado. Até quando essa situação vai persistir não se sabe. Ninguém ousa prognosticar o seu fim.
Uma bolha imensa estourou. Muitas fantasias desfizeram-se. A especulação financeira atingiu limites inimagináveis. Não havia como se sustentar. O mundo virou um grande cassino. A banca quebrou.Deu no que deu. Os países desenvlvidos, em especial os EUA, cobravam dos outros, mas não fizeram o dever de casa. A conta será paga por todos nós. Descobriu-se, afinal, que a "nova ordem mundial" estava assentada em bases carcomidas.
Resta-nos tentar recompor os cacos do vitral espalhados pelo salão.
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