quarta-feira, 15 de julho de 2009

Mídia Segmentada


Até há pouco tempo, quando se falava em mídia segmentada muitos não acreditavam na sua viabilidade. O reinado da mídia de massa era total e absoluto. Mas essas mídias eram praticamente inacessíveis para as pequenas e,em muitos casos, até para as médias empresas. Com custos proibitivos, só restava buscar mídias alternativas: panfletos, malas-diretas e carro de som, para ficar só com alguns exemplos.

Com a crescente influência da Internet a comunicação passou por uma profunda transformação. É notório que essa nova mídia redesenhou o quadro das mídias. Ela deu novo sentido ao conceito da segmentação. Hoje, cada vez mais, o marketing deve ser orientado para um determinado perfil e para atingir um determinado gosto.O marketing de massa cede lugar ao marketing individual.

Hoje, também, é possível saber o filme, a música, o livro, o divertimento preferido do cliente. Os produtos, serviços e, consequentemente, as mensagens podem ser produzidas de acordo com esse perfil. As mídias sociais permitem que se conheça com muito mais propriedade o cliente. Com uma vantagem: a minha mensagem pode chegar até ele de uma forma muito menos invasiva.

Isso significa o fim da propaganda de massa? É claro que não. Mas é evidente que existe uma diversificação. Além do mais, a segmentação não pode ser ignorada. O custo dessa estratégia é bem inferior. Basta ser trabalhada de maneira profissional. Os resultados, com certeza, vão aparecer.

Blogs, twitter, facebook, flickler, youtube, newsletter e outras mídias digitais serão cada vez mais instrumentos para falar com públicos específicos e antenados em novidades. Quem não reconhecer isso, estará de fora do "admirável mundo novo" no qual estamos inseridos.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Mídias Sociais: Uma Revolução


Não nutro entusiasmo cego pela tecnologia. Em especial, as novas. Por outro lado, seria uma enorme burrice ignorá-las. Também não me alinho às correntes que vaticinam que o surgimento de uma nova tecnologia representa, necessariamente, a morte de uma outra, já existente. A internet não veio para acabar com a TV, com os jornais impressos, com o rádio. Estas mídias, apenas, serão influenciadas e terão que se adapatar.

Nesse contexto, acredito que as mídias sociais chegaram para ficar. Conhecê-las e usá-las como ferramentas eficazes é o desafio que se impõe. Para o cidadão e para as empresas, para os órgãos públicos e para personalidades públicas (incluíndo, claro, os políticos). É fundamental entender que, por trás das mídias sociais, existem pessoas. Por isso, crescem as possibilidades de relacionamentos.

No fundo, a tecnologia é um acessório. O que interessa, prá valer, sãos as pessoas que as utiliza. Fazer o bom uso das mídias sociais pode render muito. Basta, pois, entender a abrangência e o significado dessa revolução que está se processando diante de nossos olhos. Uma coisa é certa: nada será como antes.

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Diretas-Já: 25 Anos


Não posso deixar de registrar um fato histórico, transcorrido há 25 anos. Justamente no dia 25 de janeiro de 1984. O comício pelo retorno às eleições diretas para presidente da república, realizado em São Paulo, na Praça da Sé. Vivíamos em pleno Regime Militar. A escolha do Presidente da República era feita de forma indireta, através de um Colégio Eleitoral, totalmente manietado pelos militares.

O comício pelas "Diretas-Já", como o movimento ficou conhecido, detonou a maior mobilização de massas da história recente do Brasil. O pontapé dessas manifestações foi a cidade de São Paulo, para onde deslocaram-se milhares de pessoas, de diferentes localidades do Brasil. De Goiânia saíram cerca de cem ônibus, com aproximadamente três mil manifestantes. Eu estava entre eles.

Naquele 25 de janeiro de 1984 garoava em São Paulo. A multidão presente pouco se importava com as condições climáticas. Vestida de amarelo (a cor oficial da campanha), queria ouvir discursos inflamados, exigir o fim do regime militar e a volta das eleições diretas. Os oradores que mais se destacaram foram o então governador de São Paulo, Franco Montoro; o metalúrgico e líder de um partido surgido há pouco (PT), Luís Inácio Lula da Silva.

Mas dentre todos, uma figura se sobressaiu. Acabou se tornando um símbolo da luta pelo retorno à democracia no Brasil. Este personagem foi Ulysses Guimarães, que ficou conhecido pela alcunha de Sr. Diretas. A voz de Ulysses se confundia com a voz dos brasileiros que ansiavam pelo retorno à normalidade democrática.

Um dos momentos de maior emoção do comício de São Paulo foi quando a cantora Fafá de Belém entoou o Hino Nacional. Muitos não contiveram a emoção e choraram. Outra voz marcante foi a do locutor Osmar Santos (anos depois ele foi vítima de um acidente automobilístico que o deixou numa cadeira de rodas). Osmar converteu-se no locutor oficial das Diretas-Já.

Apesar de toda a mobilização popular em torno desse movimento (inclusive, em Goiânia, realizou-se um comício na Praça Cívica que reuniu milhares de manifestantes), a emenda Dante de Oliveira, que restaurava o direito do povo eleger o seu presidente foi derrotada no Congresso Nacional. Mas o movimento das Diretas-Já acabou apressando o fim do autoritarismo no Brasil. A oposição venceu os militares no Colégio Eleitoral. Tancredo Neves elegeu-se presidente. Um novo Brasil estava surgindo.

terça-feira, 13 de janeiro de 2009

Uma Semana em Sampa



Semana passada estive em São Paulo. A princípio, uma goroa se insinuou.A temperatura estava agradável, abaixo dos 20 graus. A partir do meio da semana, o clima sofreu grande mudança. Os termômetros ultrapassaram os 30 graus. Não havia dúvidas. Estávamos em pleno Verão.

Quem não está a trabalho, o que faz em São Paulo nesse calor infernal? Muitos refugiam-se nos shoppings. Outros, buscam os parques. De todos, parece que o Ibirapuera é o melhor. Um grande Oásis no meio da imensa Selva de Pedra. Ótima alternativa para quem está em plena Avenida Paulista é o Parque Trianon (Ten. Siqueira Campos).

Nesses lugares privilegiados, a céu aberto, sem ar-condicionado, é possível até ouvir os cantos dos pássaros, ler um livro na sombra das árvores. Esquece-se, por alguns instantes, que estamos numa das maiores metrópoles do mundo. Juntamente com os museus, teatros, restaurantes e bares, o que São Paulo tem de melhor são os seus acolhedores parques. Principalmente, para quem está flanando pelas manhãs ou tardes ensolaradas de Sampa.

domingo, 28 de dezembro de 2008

Exposição Gilberto Freire


Prossegue até o dia 18 de maio de 2009,no Museu da Língua Portuguesa, em São Paulo, a exposição "Gilberto Freire - Intérprete do Brasil". Trata-se de uma justa homenagem a um pesquisador que dedicou a sua vida a entender a cultura, a sociedade e o homem brasileiro. Freire, com sua obra Casa Grande & Senzala, revolucionou a historiografia no Brasil. Usou os seus conhecimentos de antropologia e sociologia para interpretar os fatos de forma inovadora.

O sociólogo foi ferrenho opositor do racismo. Em 1942 foi preso no Recife, sua cidade natal, por ter denunciado nazistas. Com seus estudos, ajudou a demolir o racismo biologizante que dominava nossas universidades. Ele foi doutor pelas universidades de Paris (Sorbonne), Columbia (EUA), Coimbra (Portugal), Sussex (Inglaterra) e Münster (Alemanha). Em 1971, a Rainha Elizabeth lhe conferiu o título de Sir (Cavaleiro do Império Britânico).

As voltas que o mundo dá


Desde o final de junho estive ausente deste blog. Por vários motivos. Mas não creio que seja relevante desfiá-los. Isso pouco importa. O essencial é retomar o ponto de partida. Registrar impressões, visões e aspirações. É o que pretendo fazer.Em seis meses muita coisa aconteceu. O mundo mudou. Uma crise econômica sem precedentes varreu os mercados. O mundo continua sobressaltado. Até quando essa situação vai persistir não se sabe. Ninguém ousa prognosticar o seu fim.

Uma bolha imensa estourou. Muitas fantasias desfizeram-se. A especulação financeira atingiu limites inimagináveis. Não havia como se sustentar. O mundo virou um grande cassino. A banca quebrou.Deu no que deu. Os países desenvlvidos, em especial os EUA, cobravam dos outros, mas não fizeram o dever de casa. A conta será paga por todos nós. Descobriu-se, afinal, que a "nova ordem mundial" estava assentada em bases carcomidas.
Resta-nos tentar recompor os cacos do vitral espalhados pelo salão.

domingo, 29 de junho de 2008

Cheiro de Álcool


Estava em Caçu, no Sudoeste goiano. Era uma quinta-feira e queria retornar a Goiânia. Consultei o relógio: cinco minutos para 17 horas. Teria que percorrer, sozinho ao volante, 320 Km. A minha condução era um Palio 1.0, alugado.

Assim como fiz na ida, passaria por Rio Verde. O percurso entre as duas cidades é feito, considerando as precárias condições da rodovia, em pouco mais de uma hora. E são apenas 90 quilômetros. No trecho próximo a Aparecida do Rio Doce os buracos, numa extensão próxima a 10 Km, tomaram conta da estrada.

Avaliei a situação. Estava, realmente, disposto a dormir em casa. Não devia perder tempo. O medidor de combustível do automóvel marcava pouco menos de 1/4 de tanque. "O veículo é econômico, dá para chegar em Rio Verde e lá eu abasteço", imaginei.

Peguei a estrada. Cruzei, em sentido contrário, os cinco quilômetros de eucaliptos que margeiam a GO-206 que dá acesso a Caçu. Cheguei à BR-364. Venci os 20 Km até o trevo da GO-174 em pouco menos de 20 minutos. Iniciei a paciente travessia dos buracos. Como já sabia, o velocímetro do carro não passou dos 30 Km.

Comecei a observar o medidor de combustível. O ponteiro tinha baixado um pouco. Fazia calor. "Nem pensar em ligar o ar-condicionado do carro", disse a mim mesmo. Era necessário poupar combustível. Comecei a suar com os vidros levantados. A poeira era intensa. Demorou, mas saí do trecho mais crítico da estrada. Os buracos ficaram para trás.

Agora, sim, seria possível trafegar a 100 Km/h. No horizonte, o sol dava sinais de que iria se recolher. A viagem prosseguia tranquila. Só restavam cerca de 50 Km para chegar a Rio Verde. Olhei novamente o medidor de combustível. Havia baixado bastante. Entrou na reserva.

"Será que consigo chegar a Rio Verde com este combustível?", comecei a questionar. De um lado e de outro da rodovia só avistava grandes plantações: soja, algodão, milho, sorgo, cana, girassol, entre outras culturas. Nenhum posto de gasolina, nenhuma parada confiável.

Mas tinha que prosseguir o meu percurso. A essa altura, eu não desgrudava o olho do marcador de combustível. O ponteiro insistia em baixar. A preocupação aumentou. Logo seria noite. "Se o combustível acabar aqui, no meio do nada, a quem vou recorrer?", era a dúvida que me assaltava. Única alternativa: esperar um carro e pedir ajuda.

É claro que existiam riscos. Sozinho a coisa complicava. Lembrei das manchetes de TV e jornais da véspera: "Quadrilha de assaltantes presa em Caçu". E mais: "Polícia Federal desbarata na região quadrilha que traficava drogas". E havia um detalhe complicador na situação: sinal de celular não pega na estrada.

Tinha que continuar rodando até onde permitisse o combustível. A rodovia deixou de ser plana. Começou um sobe e desce de morros. "Para economizar, vou aproveitar as descidas e colocar o carro em ponto-morto", raciocinei. Foi o que fiz. Mesmo assim, o ponteiro baixava. Estava muito próximo do zero.

De repente, avistei Rio Verde. Como estava no topo de uma ladeira, calculei que a cidade deveria estar a, no mínimo, 20 qulômetros. "Será que tenho combustível suficiente?", era a dúvida que não queria calar. Pensei em parar o carro e pedir ajuda.

Mas deparei-me com um novo morro pela frente. Tinha que acelerar o carro para subir. O que restava de combustível estava prestes a acabar. Mesmo assim, subi o morro. Agora tinha pela frente uma descida generosa. Cerca de quatro quilômetros. Hora de recolocar o carro em ponto-morto.

Avistei, com grande satisfação, novos indícios da cidade. Logo à frente uma placa da indústria Kowalski. Bom sinal. Rio Verde se aproximava, de fato. O contador de combustível próximo a zero. Cheguei no anel viário que dá acesso à cidade. Parei o carro. Liguei o pisca-alerta. Estava disposto a seguir à pé para procurar um posto de combustível.

Por pura coincidência, avistei a 200 metros uma placa indicando o que eu mais precisava naquele momento: combustível. Liguei o carro. Ele foi como que deslizando até o posto. O frentista que me atendeu olhou para o marcador e concluiu: "Hi, doutor, esse carro estava andando só com o cheiro do álcool".

A Jangada e o Mar


Estive em Fortaleza na semana passada. Revivi paisagens belíssimas. A cidade cresce num ritmo frenético. Nesse aspecto, é bem diferente daquela que conheci há 18 anos atrás. "O mercado imobiliário está aquecido", revelam as manchetes de jornal. E, de fato, está. A cada esquina outdoors anunciam um novo condomínio de luxo.

Mas a cidade não é só beleza. É bom que se diga, antes que me acusem de difundir uma visão panglossiana, como se vivéssemos no melhor dos mundos possíveis. Fortaleza possui grandes contrastes sociais. Muitos bolsões de pobreza e algumas pequenas ilhas de prosperidade. Situação, de resto, comum às metrópoles brasileiras.

Apesar dessa situação, a cidade encanta turistas e visitantes. A natureza é generosa. O mar verde ensaia um extenso degradê. Céu e mar tingem a paisagem com cores fortes, marcantes. A brisa que sopra, constante, deixa a temperatura mais amena.O ar que você respira é ameno, tépido ar de maresia.

Confesso que fiquei particularmente encantado com uma cena típica de cartão-postal. Do alto do quarto de hotel onde estava hospedado divisei uma pequena jangada branca. Próxima à linha do horizonte, ela singrava o mar, tendo o céu azul e o sol como testemunhas. Era por volta das 16 horas.

Impossível não guardar essa visão na memória. Daí a pouco o sol começou a se por. Fui brindado com a visão de uma imensa bola de fogo alaranjada que se recolhia diligentemente. Era como se todo o esplender da natureza estivesse congelado naquele momento, num quadro singular. O que fazer diante de tanta beleza? Apenas duas coisas: reverenciar e agradecer.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Crônica do Avião


Cheguei ao aeroporto, em Goiânia, ligeiramente atrasado. Estavam chamando para o embarque. Corri para fazer o check-in. Etiquetaram as bagagens. Passei pelo detector de metais. A fila já estava formada para entrar na aeronave. Embarquei no avião. Procurei a minha poltrona: 12-D. Coloquei as bolsas de mão na bagageiro. Ufa! Sentei para descansar. Dei-me, ainda, ao trabalho de lembrar de desligar o aparelho celular.

Os passageiros, mais atrasados que eu, também procuravam se acomodar em suas poltronas. Ou melhor, tentavam. Aconteceu um intenso troca-troca de assentos. As comissárias de bordo, solícitas, cuidavam para que tudo se ajeitasse da melhor forma possível. O objetivo era zelar para que o vôo saísse rigorosamente no horário marcado.

Mas, de repente, algo inesperado. Um telefone celular toca. Trinnnnnn!Os passageiros, já sentados e com seus cintos afivelados, prontos para decolar, se entreolham. Pareciam dizer: "Não é o meu celular que está tocando". Ao mesmo tempo, queriam encontrar o babaca que deixou o celular ligado. O toque insistente não para: Trinnnnn!

A comissária de bordo interroga: "De quem é o aparelho que está tocando?". Imediatamente respondo: "Não é o meu". Do meu lado, alguém sugere: "O toque está tão próximo, deve ser de alguém que esqueceu ligado na bolsa do bagageiro". Um senhor grisalho levanta-se. Abre o compartimento. Verifica a bolsa e conclui triunfante: "Não é o meu". Enquanto isso, o maldito aparelho: Trinnnnn!

Inicia-se a algazarra. A impaciência toma conta dos passageiros. A aeronave não pode decolar com um celular ligado. Todos correm perigo. Trinnnnn! Ele insiste em se manifestar. A impaciência aumenta.

A chefe de gabine anuncia pelo serviço de som: "Por favor,senhores passageiros: precisamos identificar o dono do celular para que o aparelho seja desligado. O avião só poderá decolar após esta providência". Olhares acusatórios são trocados, como se dissessem: "Você aí do lado não vai desligar essa geringonça?".

Trinnnn! O barulho está muito próximo. "Só se alguém deixou cair debaixo da poltrona", sugere o senhor da poltrona 11-A. Os passageiros, agoniados, se abaixam para localizar o celular. Trinnnnn! Ele volta a insistir. E nada de localizá-lo.

De repente, me dou conta: "Será que é o meu?", penso com os meus botões. Lembro, perfeitamente, de tê-lo desligado. Ainda asssim, para desencargo de consciência, apalpo o bolso. Só então descubro, constrangido, querendo sumir da poltrona, que o Trinnnnn! é do meu aparelho.

Com um toque rápido no botão vermelho do celular devolvi a paz e o silêncio ao vôo 3957 com destino a São Paulo. Assim, cheio de vergonha, descobri o mistério: o Trinnnn era o despertador, que é ativado mesmo com o aparelho desligado. Vivendo e aprendendo.

Em tempo: esta crônica foi escrita hoje, entre 7h05 e 7h35, dentro do avião, no trajeto entre Goiânia e São Paulo.

sábado, 24 de maio de 2008

Bate-Bola com o Mar


O céu era azul. O sol reinava soberano. A brisa marinha soprava o seu hálito fresco. Os banhistas seguiam a rotina de verão: uns caminhavam sem pressa pela praia; outros deixavam-se quedar em cadeiras voltadas para o mar. Vendedores ambulantes ofereciam queijo, óculos e roupas de banho.

Alheio a todos, um menino se divertia com uma bola. Devia ter cerca de 12 anos. Pele morena curtida de sol. Uma ginga de corpo muito peculiar. No princípio, fazia embaixadas. Depois, descobriu um parceiro de jogo: o mar.

Explico: o garoto chutava a bola em direção as ondas; estas, com a sua força, conduzia a bola de volta à praia e aos pés do garoto. A cena, aparentemente banal, se repetiu diversas vezes.

O bate-bola aconteceu em Fortaleza, na praia do Futuro, há cerca de seis anos. O menino virou homem. Fico a imaginar: será que ainda joga bola com o mar?

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Péres: Uma Referência Ética


Ele era baixinho e raquítico, porém, temido por muitos, especialmente pelos corruptos. Na tribuna, a sua voz era poderosa. Agigantava-se ao defender a democracia e a liberdade. Seu nome: Jefferson Péres. Um dos políticos mais brilhantes no Congresso Nacional. Hoje, pela manhã, sua voz se calou.

Na tribuna, expressava-se de maneira pausada e firme. Era dono de uma oratória brilhante. Sem concessões. Sem demagogia. Guardada as diferenças históricas, lembrava Teotônio Vilela, o menestrel das Alagoas.

O senador amazonense foi um bravo. Muitos o classificavam como uma referência ética na política brasileira. E de fato foi. Parlamentar aguerrido, Péres notabilizou-se pela coragem e pela coerência. Quando subia na tribuna (não fazia muitos discursos), sabia-se que o seu pronunciamento teria grande repercussão.


No lodaçal em que se encontra a política brasileira, era um dos poucos que se mantinha intacto. Não se deixou contaminar, nem se cegar pelo brilho do poder. A coerência, a lucidez, a coragem, a sabedoria, a rebeldia sensata e madura de Jefferson Péres farão falta ao Brasil.

Parabéns senador. Que a sua luta e o seu exemplo não sejam em vão. Descanse em paz.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Neruda em Goiânia



Na década de 50, Goiânia ainda dava os seus primeiros passos. Ela havia surgido no meio do nada. Começou a ser construída duas décadas antes. Pode-se dizer que foi fruto da Revolução de 30. Pedro Ludovico, que representava esse novo poder no Estado, era ferrenho opositor das antigas oligarquias dominantes. Mudou o centro do poder da Cidade de Goiás (antiga Vila Boa). Investiu numa cidade planejada. Ousou.

Havia necessidade de romper com o velho, com o antigo, com o decadente. Inaugurada oficialmente em 1942, durante o Batismo Cultural, Goiânia tinha que se firmar politicamente, socialmente e culturalmente. Nos seus primórdios havia muitas carências. Uma curiosidade: por um tempo, a energia elétrica que abastecia a cidade era de um motor de submarino, adquirido pelo Estado logo após o fim da 2a. Guerra Mundial.

Culturalmente, o grande marco da década de 50, indiscutivelmente, foi o Congresso Internacional de Escritores, realizado em 1954. Para cá afluíram intelectuais de toda a América Latina e do Caribe. Entre todos, o nome mais famoso foi o de Pablo Neruda, um dos maiores poetas do século XX e ganhador do Prêmio Nobel de Literatura de 1971.

O que poucos sabem é que Goiânia foi cenário de um dos poemas de Neruda. Ele se chama "Oda Al Pájaro Sofré". Neruda, com o seu lirismo aguçado, trata no poema de um pássaro que levou para o Chile, mas que teve um fim trágico: morreu (provavelmente) de frio. O poema foi incluído no seu livro "Odas Elementales", publicado em 1954.

Eis o trecho do poema, no original, em espanhol:

Te enterré en el jardín:
una fosa
minúscula
como una mano abierta,
tierra
austral,
tierra fría
fue cubriendo
tu plumaje,
los rayos amarillos,
los relámpagos negros
de tu cuerpo apagado.
Del Matto Grosso,
de la fértil Goiania,
te enviaron
encerrado.
No podías.
Te fuiste.
En la jaula
con las pequeñas
patas tiesas,
como agarradas
a una rama invisible,
muerto,
un pobre arado
de plumas
extinguidas,
lejos
de los fuegos natales,
de la madre
espesura,
en tierra fría,
lejos.
(...)

Soneto da Fidelidade


Aqui, como se pode constatar, uma coisa puxa outra. Ao falar do compositor Vinícius, não se pode esquecer do poeta Vinícius. E ao se falar do poeta Vinícius não dá para esquecer alguns de seus poemas que se incorporaram ao nosso imaginário coletivo. É o caso do Soneto da Fidelidade, que transcrevo a seguir:

De tudo, meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento.
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento.
E assim, quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa me dizer do amor ( que tive ) :
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure.


Se ler estes versos é um deleite, imagine vê-lo declamado pelo próprio poeta. É o que veremos a seguir. Postei o vídeo do Vinícius. Que tal conferir?

Garota de Ipanema: Eterna

Chega de Saudade, O Barquinho, Garota de Ipanema se tornaram grandes clássicos da Bossa Nova. Das três, Garota de Ipanema consagrou-se como uma das canções mais executadas em todo o mundo, ao lado de Yesterday, dos Beatles. Que tal conferir Garota de Ipanema executada por uma dupla espetacular: Tom Jobim e Vinícius de Moraes? Imperdível.

Bossa Nova: 50 Anos

Ritmo genuinamente brasileiro, a Bossa Nova está completando 50 anos. E tem muito o que comemorar. Ela é reconhecida mundialmente. Os seus criadores figuram, com muita justiça, entre os grandes gênios da música popular do século XX. No vídeo abaixo confira uma performance espetacular do quarteto: Tom Jobim, Vinícuius de Moraes, Toquinho e Miúcha.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Mídia Construtiva Rompe Fronteiras

A mídia espetáculo, que transforma a notícia em show, é um fato. Ela está presente no nosso cotidiano. Basta ligar a TV, folhear jornais e revistas, sintonizar o rádio e acessar a Internet. Explora-se a exaustão um assunto com o propósito eminentemente comercial. A boa notícia: existe uma reação a tudo isso. Grupos organizados em todo o mundo procuram disseminar um outro tipo de mídia:a mídia construtiva.

A princípio, o movimento pode parecer uma ação de idealistas. Na verdade é. Mas com uma diferença: são pessoas que sonham, mas tem os pés bem fincados no chão. Ou seja, não guerreiam contra moinhos de vento. Possuem objetivos claros e estratégias bem delineadas. De pouco adianta apenas criticar a mídia pelo baixo nível de sua programação. É necessário oferecer alternativas.

O Pangea Day, que será realizado no próximo dia 10 de maio é uma delas. Neste dia serão exibidos 24 curtas-metragens que foram selecionados entre mais de 2.500 produções. São mais de 100 países envolvidos. Os filmes foram feitos tendo em vista inspirar, transformar e transmitir empatia por meio do cinema.

O objetivo do projeto, segundo os organizadores, é unir o Planeta em que as pessoas estão divididas por fronteiras, conflitos e por diferenças ideológicas e religiosas. Querem mais: mostrar o que as pessoas tem em comum. Ou seja, os seus anseios, sonhos, carências e emoções.

Clique abaixo e confira o vídeo de divulgação do Pangea Day. Vale a pena conferir.

quarta-feira, 23 de abril de 2008

Os Trajes da Verdade


"Não há nenhum pensamento importante que a burrice não saiba usar, ela é móvel para todos os lados e pode vestir todos os trajes da verdade. A verdade, porém, tem apenas um vestido de cada vez e só um caminho, e está sempre em desvantagem"

A frase é do escritor austríaco Robert Musil, retirada do seu livro O Homem sem Qualidades, considerada uma obra-prima em razão de sua apurada técnica literária. Trata-se de um questionamento sobre a postura do indivíduo alienado diante da sociedade de massas. Mas, não resta dúvida: o autor, aparentemente, apresenta uma visão amarga da vida.

Mas as aparências enganam. O livro também é recheado de humor e sátira, como observou num ensaio sobre Musil, o crítico Marcelo Backes. Ele teceu o seguinte comentário sobre a obra:

"...O homem sem qualidades é uma bola de neve de ações paralelas, que rola pela montanha do século abaixo, abarcando tempo e espaço, para ao fim engendrar um romance inteiriço, ainda que multiabrangente, pluritemático e panorâmico.Ulrich – o homem sem qualidades – faz três grandes tentativas de se tornar um homem importante. A primeira delas é na condição de oficial, a segunda no papel de engenheiro (vide a carreira do próprio Musil) e a terceira como matemático, exatamente as três profissões dominantes – e mais características – do século XX".

Backes acrescenta a seguinte observação: "Os três ofícios são essencialmente masculinos e revelam o semblante de uma época regida pelo militarismo, pela técnica e pelo cálculo que, juntos, acabaram desmascarando o imenso potencial autodestrutivo da humanidade. O relato acerca da busca “desencantada” de Ulrich lembra a velha busca – ainda sagrada – do Santo Graal".

segunda-feira, 21 de abril de 2008

Uma lenda de 68: Dany le Rouge



Maio de 68 começou em março. Explico. Dois meses antes da guerrilha urbana de Paris iniciar, aconteceu um conflito na Universidade de Nanterre. O motivo era prosaico: a Reitoria baixou uma norma proibindo os rapazes de visitar as moças em seus alojamentos. Por isso, o meu amigo Euler Belém, jornalista, brinca: 68 reiventou o 69.

Pois bem, um estudante judeu-alemão liderou um grupo de cem colegas contra essa decisão. Eles ocuparam a Reitoria. Assustado, o reitor tomou a decisão de chamar a polícia para desalojar os jovens rebeldes. O rastilho de pólvora estava aceso. Os estudantes de Nanterre foram para a Sorbonne (Universidade de Paris) para conquistar a solidariedade de seus pares.

O estudante que liderava a manifestação tinha os cabelos vermelhos. O seu nome: Daniel Conh-Bendit. Daí o apelido: Dany le Rouge (Daniel, o Vermelho). A sua fama alastrou-se. A liderança consolidou-se. Para alguns, ele era um Robespierre de Centro Acadêmico.

Dany era bolsista do governo alemão, filho de pais judeus que emigraram para a França fugindo do Nazismo. Em Nanterre, foi aluno de um professor brasileiro, exilado em Paris, que anos depois seria Presidente da República: Fernando Henrique Cardoso. Hoje, Dani é deputado do Parlamento Europeu pelo Partido Verde. Portanto, não é mais vermelho.

1968: O Poder Jovem nas Ruas


Mês que vem, comemora-se os 40 anos do Maio de 1968. Mas, há motivos para comemoração? Este é o questionamento que você pode fazer de cara. Será que não se está apenas incensando aquele bando de filhinhos-de-papai que saíram às ruas de Paris queimando carros, arrancando paralelepípedos, invadindo universidades e jogando pedras em policiais?

É claro que os episódios daquele ano podem ser analisados sob outra óptica completamente distinta. Foi nesse período que os ideais de liberdade e modernidade se fizeram sentir com mais intensidade, em especial, entre os jovens, filhos do pós-guerra. O chamado Poder Jovem insurgiu-se contra a autoridade. Que podia ser representada pelo pai, professor, chefe, burocrata, presidente ou rei.

Naquele ano mítico, tudo parecia possível. O homem estava próximo da lua. Os meios de comunicação, em especial a TV, interligavam o mundo via satélite. Pela primeira vez as famílias de classe média acompanhavam os horrores da guerra de sua sala de estar. A barbárie da guerra do Vietnã era mostrada com toda a sua crueza. O mundo vivia em plena Aldeia Global.

Enquanto isso, a revolução embalava os ideais juvenis. Daí o slogan famoso dos estudantes de Paris: "Seja realista, exija o impossível". Ou outro, que estava estampado nas pichações das universidades: " É proibido proibir". Entrincheirados em suas barricadas, também exigiam "A imaginação no poder". De Gaulle, o presidente francês, foi envolvido por um mutismo sepulcral.

A rebelião da juventude em 1968 era planetária. Além da França, também sacudiu a Alemanha, a Inglaterra, a Itália, e até países da chamada "cortina de ferro", como a Iuguslávia, que protagonizou a Primavera de Praga. Na América do Sul, os ecos foram ouvidos no Brasil e na Argentina, bem como na América do Norte - México e Estados Unidos.

Nos EUA, o movimento ganhou as ruas, sobretudo em razão da grande insatisfação da opinião pública norte-americana com os rumos da Guerra do Vietnã. Os jovens rebelaram-se contra o alistamento militar. Recusavam-se a ser bucha de canhão numa guerra sem sentido. Somava-se a isso, a luta pelos direitos civis, contra o racismo e pelos direitos das mulheres.

Quatro décadas depois, o que representou 1968? A revolução sonhada, é certo, não se concretizou. De toda sorte, um marco profundo se fez sentir nos costumes e na cultura. O mundo conservador, careta, reacionário, teve que dar passagem a idéias bem mais arejadas. Para o bem ou para o mal, independente da idade que se tenha hoje, somos herdeiros dos sonhos que embalaram aqueles tempos.

O vídeo abaixo dá uma idéia da rebelião e de como foi o conflito entre os estudantes e os policiais. Paris, a cidade dos amantes, tornou-se, literalmente, uma praça de guerra. Confira.

sábado, 12 de abril de 2008

Norah Jones: Voz de Veludo

Ela é o oposto da sua colega inglesa Amy Winehouse. Bem comportada, bem vestida, bem falada, enfim, boa moça. O seu jeito é meigo. Os seus gestos são comedidos. A voz, bem a voz, está a altura das grandes divas do jazz. Voz de veludo. Ela é Norah Jones. Vale a pena vê-la e ouvi-la.Clique.